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BRAMON | Personagens da Ciência de Meteoros – Parte I
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Personagens da Ciência de Meteoros – Parte I

Uma das primeiras tentativas para explicar o fenômeno dos meteoros surgiu com Anaxágoras de Clazômena que viveu entre 500 e 428 a.C.

Anaxágoras de Clazômena (500 – 428 a. C)

O modelo cosmogônico de Anaxágoras previa que as estrelas e planetas eram feitos de rocha. O brilho se dava pelo movimento dos mesmos no extremamente puro e rarefeito ar, no qual denominavam éter.

Anaxágoras também descrevia as estrelas cadentes como sendo fagulhas no éter.Deste modo, os meteoros eram tão somente fenômenos atmosféricos e aconteciam internos à esfera celeste. Era a época em que foi traçado um paralelo entre meteoro, relâmpago e terremoto. Se a ignição ocorria na alta atmosfera era denominado meteoros. Se ocorria próximo ao solo, era o relâmpago e se ocorria interno ao solo era o terremoto. Mas Anaxágoras afirmava que os meteoritos eram rochas que caíam do céu.

Plutarco escreveu que Anaxágoras previu a queda de um meteorito em 467 a.C. E obviamente isso foi pura sorte, pois é altamente improvável prever este tipo de acontecimento.

A provável explicação para o acerto de Anaxágoras foi uma junção de acontecimentos naquele ano. O surgimento de uma grande cometa, que Anaxágoras julgava ter sua origem na fusão da luz de duas ou mais estrelas poderia resultar em fragmentos de rochas que, obviamente, caiam na Terra. Assim, após avistar o cometa, Anaxágoras pôs-se a esperar que meteoritos surgissem.

Diógenes de Apolônia desenvolveu uma cosmogonia muito similar a de Anaxágoras. Entretanto ele acreditava que o Universo possuía estrelas visíveis e estrelas invisíveis. As estrelas visíveis estavam lá, seguindo o inexorável movimento da esfera celeste. mas as estrelas invisíveis tinham movimentos aleatórios e, eventualmente poderiam tanto colidir quanto cair na terra, gerando o que hoje conhecemos como fireball.

Diógenes de Apolônia (499 – 428 a. C)

O mais influente trabalho neste campo, surgido na Grécia Antiga é de longe, o de Aristóteles (384 – 327 a.C).

Aristóteles resumiu todas as ideias sobre a formação dos fenômenos meteorológicos (estrelas cadentes, relâmpagos, neve,  cometas, chuva, trovões…) num livro no qual deu o nome de Meterologica, escrito em 357 a.C..

Aristóteles acreditava que tudo era feito a partir da combinação de quatro elementos: terra, água, fogo e ar. Cada um deste elementos teria gradações de de características como calor/frio e seco/úmido. Ele também definiu um lugar para cada um dos elementos dentro da primeira esfera celestial (que estava abaixo da órbita lunar).

Representação das esferas celestiais, segundo o pensamento na Grécia Antiga.

Dentro da lógica aristotélica, os céus possuíam perfeição em sua estética e componentes, não sendo então admitida a presença de elementos erráticos, como cometas ou estrelas cadentes. Estes objetos somente poderiam ter origem na própria Terra. Assim, os meteoros eram apenas vapores inflamados. Mas, diferente do pensamento de Anaxágoras, Aristóteles acreditava que eram exalações realmente da própria terra.

Aristóteles (384 – 327 a.C.)

No Meteorologica, Aristóteles explicou que o Sol gera aquecimento e provoca tais liberações de vapores. Isto então geraria vários fenômenos atmosféricos. A água produzia vapores úmidos e a terra produziria ventos e vapores secos.Quando muito vapor seco se acumulasse no topo da primeira esfera celestial, haveria ignição e o surgimento de um meteoro.

No próximo post da série vamos conhecer um pouco mais o pensamento de Aristóteles e os conceitos que fizeram a Ciência de meteoros ficar sem grandes avanços por quase 2000 anos.

Personagens da Ciência de meteoros – Parte II

Imagens sob licença CC. 3.0.  Pesquisa e edição: Lauriston Trindade*

*Lauriston Trindade é graduando em Física pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), integrante da BRAMON desde 2015, co-descobridor de chuvas de meteoros e membro da International Meteor Organization (IMO)

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