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BRAMON | Grande bólido visto em Cuba deixou meteoritos em solo
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Grande bólido visto em Cuba deixou meteoritos em solo

No início da tarde dessa sexta, 1° de fevereiro, um fenômeno assustou os moradores do norte da Ilha de Cuba. Uma imensa bola de fogo cruzou o céu brilhando intensamente e foi seguida de uma forte explosão alguns minutos depois. Poucas horas depois, os portais de notícia já davam informações a respeito e circulavam vídeos que mostravam o rastro de fumaça nos instantes que seguiram a passagem do bólido. O meteoro foi tão intenso que foi detectado também em radares e em imagens de satélite. E alguns meteoritos provenientes desse fenômeno já foram encontrados. Estudamos e analisamos as informações disponíveis e já podemos concluir algumas coisas a respeito desse evento.

Trajetória

Existem vários elementos que ajudam a definir a trajetória com que o bólido passou pela atmosfera. As imagens de satélite sugerem que o local da fragmentação principal ocorreu a leste de Viñales. Somando-se a isso, a análise das trilhas de fumaça presente nos vídeos indicam uma trajetória Sul-Norte, e a partir da trilha de fumaça presente em uma das fotos divulgadas na imprensa, podemos estimar o azimute da direção com uma precisão muito boa em torno de 13°.

Trajetória do bólido calculada pela BRAMON

Trajetória do bólido calculada pela BRAMON

Ainda não temos como calcular a inclinação da trajetória, mas estimamos que deva ser algo entre 40°e 60°. Veja abaixo alguns vídeos e a imagem que nos ajudou nesse cálculo:

 

Órbita

A direção de onde veio o bólido (próxima ao Sol), indica que o objeto tinha uma órbita bastante alongada e de baixa inclinação, mas ainda não temos parâmetros suficientes para calcular seus elementos orbitais. Assim que tivermos maiores informações, atualizaremos esse post.

Atualização em 10/02/2019 16h41 (Hora de Brasília)

A partir da divulgação do evento do meteoro cubano na página de Fireballs da CNEOS (Center for Near Earth Object Studies), foi possível avançar muito na determinação da órbita do meteoroide.

Os dados mais relevantes para isso são a data do evento, a saber: 01/02/2019 às 18h17min10s UTC. E os componentes vetoriais de sua velocidade: Vx = -2,4km/s; Vy = 13,6km/s e Vz = 8,7km/s.

De posse destes dados é possível referenciar um vetor trajetória e com a velocidade, foi a vez de calcular o shape da órbita.

Vetores velocidade para o Meteoro de Cuba, segundo dados CNEOS.

Órbita do Meteoro de Cuba:

Período orbital: 256 dias.

Vg: 14.1km/s

a = 0,788152 AU

q = 0,0398586 AU

e = 0,494278

Peri = 226.8436

Node = 132,2495

i = 10,8239

Órbita do meteoro de Cuba. Top View

Órbita do Meteoro de Cuba. Side View.

Simulação do meteoroide: 1 dia para o impacto.

Uma vez com a órbita determinada, foi a vez de procurarmos similaridade orbital com outros objetos.

Foi encontrada similaridade compatível com dois asteroides:

  • 2015 DQ224

Asteroide que possui MOID de apenas 0,00071971 UA e que em 18 de fevereiro de 2015 teve uma aproximação com a Terra da ordem de 0.000722 UA (distância de pouco mais de 108.000km). Este asteroide possui tamanho estimado entre 3 e 9 metros de diâmetro.

  • 2000 EE14

Asteroide que possui MOID de apenas 0,02285 UA, e que em 27 de fevereiro de 2015 teve uma aproximação com a Terra da ordem de 0,186397 UA (distância de pouco mais de 27 milhões de quilômetros). Este asteroide possui tamanho estimado de 754m.

Meteoritos

Devem haver muitos. A própria intensidade da explosão sônica sentida em Viñales, sugere que se trata de um objeto bastante massivo. Alguns deles já foram encontrados e em uma primeira análise das fotos, vemos claramente que é um condrito. Ele possui muitos veios de fusão que as vezes separam áreas mais escuras de uma matriz mais clara, o que caracteriza uma brecha. O meteorito não apresenta côndrulos facilmente visíveis mesmo nas imagens mais próximas, tb não vemos brilho de flocos metálicos e a matriz homogênea. Essas características parecem indicar um meteorito da classe L6.

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