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BRAMON | Chuva eta Aquariids e o Cometa Halley
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Chuva eta Aquariids e o Cometa Halley

A eta Aquáridas é a primeira de duas chuvas de meteoros causadas pela passagem da Terra pela trilha de poeira do Cometa Halley, com a segunda sendo a chuva Orionidas. O ponto de onde os meteoros parecem surgir fica na constelação de Aquário. Surgindo no céu poucas horas antes do amanhecer.

A cada ano, os primeiros meteoros ETA começam a surgir ainda em 19 de abril e perduram seus registros até pouco mais de 28 de maio. Mas pode acontecer de termos baixa frequência de ocorrência até o instante do pico, que ocorre na madrugada de 5-6 de maio. A taxa horária fica em torno de 30 meteoros.

História

Indícios de que uma chuva de meteoros poderia estar ativa no final de abril e início de maio começaram ainda em 1863.  Quando H.A. Newton examinou as datas de antigas chuvas e sugeriu uma série de ocorrências que chamou a atenção de observadores. Um destes períodos esta entre 28 e 30 de abril, e incluiu chuvas observadas em 401 A.C., 839 A.C., 927 A.C., 934 A.C. e 1009 A.C.

Os eta Aquáridas foram oficialmente descobertos em 1870, por Lieutenant-Colonel G. L. Tupman (enquanto navegava no Mediterrâneo). Ele registrou 15 meteoros em 30 de abril e 13 meteoros na noite de 2 e 3 de maio. Posteriormente, W.F. Denning conferiu registros da Associação Meteorítica Italiana e identificou 45 meteoros que foram anotados entre 29 de abril e 5 de maio de 1870. Finalmente, a chuva foi confirmada em em 29 de abril de 1871, quando Tupman anotou 8 meteoros.

A observações dos eta Aquarídeos eram raras. Mas em 1876, A.S. Herschel descobriu algo que gerou súbito interesse na chuva. Ele conduziu uma pesquisa matemática para descobrir quais cometas poderiam causar chuvas de meteoros. Ele percebeu que houvera uma grande aproximação do Cometa Halley com o planeta Terra, em um 4 de maio. E que as eventuais partículas do Halley, estariam em trilha com radiante em Aquário.

Os meteoros ETA são de difícil observação no hemisfério norte. Isto porque a posição estimada do radiante surge no horizonte leste poucos instantes antes do nascer do sol. H. Corder detectou atividade meteorítica em 4 de maio de 1978, com três meteoros anotados, revelando um radiante próximo a estrela eta do Aquário. Durante aquele mesmo ano, Herschel examinou dados válidos e percebeu um deslocamento diário da posição do radiante.

W. F. Denning finalmente conseguiu observar a chuva durante o periodo de 30 de abril a 6 e maio de 1886. Um total de 11 meteoros revelaram um radiante próximo a estrela eta Aquarii.A artir destas observações, ele estimou um radiante de 5 a 7 graus de diâmetro aparente. Ele concluiu também que a posição de tal radiante encaixava-se com o estimado por Herschel, para a triilha do Halley. Fez-se então a vinculação dos ETA com o cometa.

 

Dados orbitais

 

Cometa 1P/Halley

e = 0.967142

a = 17.834144 AU

q = 0.585978

i = 162.2626º

Peri = 111.3324º

Node = 58.42008º

 

Chuva ETA

e = 0.955

a = 7.41

q = .587

i = 163.6

Peri = 98.4

Node = 46.2

Dissimilaridade entre os dois grupos de dados orbitais (Drummond, 1981) é de apenas 0,022.

 

Observação em 2020

A atividade dos ETA já pode ser notada a partir de 19 de abril, mas o pico deverá ocorrer em 5 de maio às 21h UTC. Com radiante sob as coordenadas de Ascensão Reta = 338º e Declinação de -1º. São meteoros rápidos (66km/s) e muitos deles deixam trilhas persistentes. A Lua estará ainda em fase crescente, possibilitando melhor observação somente na alta madrugada.

Existe uma variação na taxa de máxima atividade da chuva ETA. A análise dos dados, ao longos das décadas, indica uma flutuação com período de 12 anos. Assumindo que a influência de Júpiter é real, o próximo máximo nas taxas ocorrerá no período entre 2020 e 2022, quando poderemos chegar a uma ZHR = 85.

Abaixo, temos a ilustração com o drift esperado para os ETA neste ano.

Taxa de ocorrência dos meteoros da Chuva ETA conforme variação de latitude.

Figura 1: Drift para a Chuva ETA em 2020. Imagem: IMO

 

Figura 2:Comparação visual entre as órbitas do Cometa Halley e da Chuva ETA. (Universe Sandbox 2)

 

Figura 3: Posição no céu para o radiante ETA, em 5 de maio de 2020. (Stellarium)

 

O estudo dos meteoros abrange várias técnicas. E todos podem contribuir.

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Texto, tradução e edição: Lauriston Trindade. Todos as imagens utilizadas nesta matéria são de livre uso desde que citadas em fontes.

Referências:

Relate um Bólido: https://bramon.imo.net/members/imo/report_intro

A Test of Comet and Meteor Shower Associations”, Drummond, J. D., 1981, Icarus 45, 545

https://www.imo.net/files/meteor-shower/cal2020.pdf

 

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