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BRAMON | Câmeras da BRAMON encontram satélite secreto ORS-5 em órbita
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Câmeras da BRAMON encontram satélite secreto ORS-5 em órbita

Em um trabalho apresentado no último sábado (03/11) no 21° ENAST, a BRAMON anunciou ter descoberto em órbita o satélite ORS-5, também chamado de Sensorsat.

A descoberta foi resultado de um trabalho conjunto entre observadores de satélites de várias partes do mundo, que incluía Marcelo Zurita, atual diretor técnico da BRAMON.
Em março deste ano (2018), foi iniciado dentro da BRAMON o piloto de um trabalho de identificação de todos os objetos em órbita detectados pelas suas câmeras. O objetivo principal é aproveitar cientificamente esses registros como uma forma de aumentar nosso conhecimento sobre tais objetos e principalmente, ajudar nas atualizações de dados orbitais de satélites secretos.
E o trabalho começou com o pé direito. No dia 24 de março de 2018, a câmera JPZ3/PB em João Pessoa, registrou pela primeira vez o Satélite Sensorsat ou ORS-5, um satélite secreto americano.
Foi na verdade, um trabalho envolvendo pessoas de várias partes do mundo a partir de uma ideia do observador de satélites Charles Phillips, de Houston nos Estados Unidos. Assim que o brasileiro Marcelo Zurita, de João Pessoa, passou a contribuir com o reporte dos satélites registrados em suas estações da BRAMON, Phillips percebeu que sua latitude era favorável para o registro de satélites em baixa órbita e baixa inclinação, que são inacessíveis para os observadores americanos e europeus.
ORS-5 (Sensorsat) 
Talvez o melhor exemplo para satélites com essa característica seja justamente o ORS-5. Trata-se de um satélite produzido pelo Laboratório Lincoln, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (LL/MIT) que opera em baixa altitude (cerca de 600 Km) em uma órbita equatorial (inclinação 0°).
ORS-5 durante sua montagem.
O ORS-5 é dotado de um instrumento de sensoriamento óptico de alta fidelidade, mede cerca de 1,5 m e pesa 140 kg. Integra o Programa de Reconhecimento Situacional do Espaço Geossíncrono e tem como principal missão, estudar o estado dos satélites no cinturão geoestacionário.
Ilustração simplificada da atuação do ORS-5
Foi lançado em 26 de agosto de 2017 a partir de Cabo Canaveral, em um foguete Minotaur IV de apenas 28,3 metros de comprimento e com 4 estágios. Em sua carga útil, ainda levava um foguete Orion 38, que funcionou como um 5° estágio, posicionando o ORS-5 em sua órbita final.
Longa exposição do lançamento do ORS-5
Desde seu lançamento, o ORS-5 nunca mais havia sido visto pelos observadores amadores de satélite, até o dia 24 de março quando foi registrado pelas câmeras da BRAMON.
Encontrando o ORS-5
Por operar em baixa altitude (600 Km) em órbita equatorial, o ORS-5 torna-se inacessível aos observadores de satélites em altas latitudes. Além disso, suas dimensões reduzidas (150cm x 60cm) proporcionam brilho tênue ao objeto até mesmo nos flares (quando refletem a luz do sol diretamente na direção do observador). Com isso, sua faixa de visibilidade muito estreita, mas seu trajeto é bem definido, já que a cada volta na Terra ele passa sempre sobre os mesmos locais.
Em 13 de março de 2018, Charles Phillips (Huston) sugere a missão de buscar pelo ORS-5. Cess Bassa (Holanda) e Greg Roberts (Cidade do Cabo) contribuíram na definição da estratégia de busca. Coube a Marcelo Zurita (João Pessoa), o único que teria visibilidade para o satélite, o apontamento da câmera para a área indicada.
Todas as noites, vários registros de satélites são feitos pelas câmeras da BRAMON. Zurita deveria, utilizando um software especializado, identificar todos os objetos registrados por sua câmera  (que estava posicionada para registrar os objetos que tivessem trajetória equatorial) e reportar caso fosse encontrado um não identificado.
Depois de várias noites sem registros de objetos desconhecidos, foi registrado um curto flare de 0,3 segundo, com magnitude 0,5 que não estava associado a nenhum satélite conhecido e que, se estivesse a 600 Km de altitude, sua latitude seria próxima a 0°.
Composição com os registros dos flares em duas noites consecutivas.
Detalhe do flare associado ao ORS-5
Após alguns cálculos preliminares, tudo indicava que os três flares haviam sido gerados pelo mesmo objeto. O relatório dos registros foi enviado para Cess Bassa, Ted Molczan e Mike McCants, alguns dos mais experientes observadores de satélites em atividade. Ambos avaliaram os dados e concluíram que se tratava realmente do ORS-5.
A partir dessas observações, os parâmetros orbitais do satélite foram calculados e disponibilizados na base de dados de satélites secretos mantida por Mike McCants. Essa base serve como fonte de consulta para os principais sistemas de rastreamento de satélites (ex: https://www.n2yo.com/satellite/?s=42921).
Novos registros da ORS-5 continuam a serem feitos até hoje pela estação BRAMON JPZ3/PB em João Pessoa, mas até a presente data, nenhum outro observador no mundo todo conseguiu enxergar o ORS-5.
Rastreamento de Satélites
Uma boa parte dos objetos em órbita da Terra são monitorados sistematicamente por observatórios especializados espalhados pelo mundo. Suas órbitas, suas origens e finalidades são informações de domínio público e com isso, eles podem ser rastreados facilmente.
Entretanto, alguns desses satélites integram projetos confidenciais ou secretos com os mais variados objetivos. Para as empresas ou países que os controlam, não é interessante que eles sejam rastreados por diversos motivos. Por isso, seus dados orbitais não são divulgados pelos órgãos oficiais. E é nesse ponto que entra a contribuição dos observadores amadores. A partir da observação e registro das passagens desses satélites, é possível calcular seus dados orbitais e torná-los rastreáveis para os outros observadores ao redor do mundo. Assim, aqueles objetos luminosos vistos pouco após o pôr do Sol ou antes do amanhecer, passam a ser facilmente identificáveis, deixam de ser OVNIs.
Imagens: Internet CC 3.0; Marcelo Zurita. Texto: Marcelo Zurita. Edição: Lauriston Trindade

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