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Asteroide pode ter deixado mais de uma tonelada de meteoritos em solo na Botswana

Neste sábado, 2 de junho, um asteroide detectado no espaço algumas horas antes, atingiu a terra sobre Botsuana no sul da África. Sua passagem atmosférica foi registrada por pelo menos três câmeras na África do Sul. Um enorme bólido que iluminou o céu, e também foi visto por dezenas de pessoas daquela região. Depois de analisarmos os vídeos e os dados divulgados pela JPL/NASA, acreditamos que podem haver mais de uma tonelada de meteoritos em solo naquela região.

Bólido registrado na África do Sul. Créditos: Suzanne Paxton Spektrum

    Bólido registrado na África do Sul. Créditos: Suzanne Paxton Spektrum
De acordo com as observações por telescópio do Observatório Catalina nos Estados Unidos, ele tinha entre 3 e 4 metros de diâmetro e nesta quarta-feira (06) a JPL/NASA divulgou dados de rede de infrassom a respeito deste evento. Segundo a JPL, o asteroide entrou na atmosfera com 16,9 Km/s de velocidade, sua explosão principal ocorreu a 28,7 km de altitude e liberou uma energia equivalente a 980 toneladas de dinamite.
A partir desses dados conseguimos traçar sua trajetória aproximada pela atmosfera e estimar uma possível área de dispersão dos meteoritos. O resultado pode ser visto no mapa abaixo, que está de acordo com a projeção anterior feita pelo SONEAR. As áreas mais quentes são, de acordo com nossas estimativas, os locais onde podem ser encontradas as maiores massas oriundas deste asteroide. As áreas mais frias e também maiores são os locais por onde devem se dispersar as menores massas mas em maior quantidade.

Área de dispersão dos meteoritos

 

Fizemos também algumas simulações, utilizando diferentes estimativas de massa e densidade, para termos uma ideia da quantidade de meteoritos que podem ter chegado em solo.
A partir da energia medida pela JPL NASA, podemos concluir que o asteroide entrou em nossa atmosfera com uma massa de cerca de 40 toneladas. Trabalhamos em modelos distintos em função da sua densidade. Isso implica principalmente na maneira como a fragmentação ocorre. Objetos mais densos e resistem mais e tem uma fragmentação mais constante. Para objetos menos densos, é comum ocorrer uma fragmentação bem mais intensa.
Principalmente por conta do perfil de brilho observado no bólido em Botswana, acreditamos não se tratar de um objeto metálico, que é mais denso.
O tipo de meteorito mais comum encontrado na terra, o condrito, tem densidade em torno de 3,8 g/cm³. Com essa densidade um asteroide deveria ter cerca de 2,7 m de diâmetro. Simulamos então para uma densidade média de um meteorito carbonáceo, 2,5g/cm³. Para esta densidade o asteroide deveria ter aproximadamente 3,4 m de diâmetro para gerar uma energia equivalente a detectada pela JPL.
Gráficos da simulação para condrito e carbonáceo

Gráficos da simulação para condrito e carbonáceo

Para ambos os casos, em nossas simulações, a massa resultante ultrapassa uma tonelada. Obviamente, como não temos dados precisos os resultados também são imprecisos. Mas é provável que nós tenhamos em solo um cerca de uma tonelada de meteoritos oriundos deste asteroide.
Há 10 anos um caso semelhante ocorreu também na África. O asteroide 2008 TC3, 18 horas após ser detectado pelos telescópios do Catalina, caiu no Sudão. Mas as expedições para o local recuperaram apenas 4 kg de meteritos. Quem sabe agora as expedições tem mais sorte?
Alguns dos meteoritos do 2008 TC3 encontrados no Sudão

Alguns dos meteoritos do 2008 TC3 encontrados no Sudão

Como amantes da ciência imaginamos a importância de serem encontrados esses meteoritos. Pela primeira vez na história um asteróide detectado no espaço foi filmado em sua passagem atmosférica. Seus meteoritos podem confirmar a precisão dos nossos modelos matemáticos, ou talvez ajudarmos a melhorá-los.

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