{"id":4042,"date":"2024-05-14T00:10:00","date_gmt":"2024-05-14T03:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/?p=4042"},"modified":"2024-05-14T00:35:04","modified_gmt":"2024-05-14T03:35:04","slug":"uma-aurora-austral-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/uma-aurora-austral-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Uma Aurora Austral no Rio de Janeiro?"},"content":{"rendered":"<p>A atividade solar de maio 2024 tem causado bel\u00edssimas auroras boreais e austrais, o que nos remete ao <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tempestade_solar_de_1859\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Evento Carrington<\/a>, famosa tempestade geomagn\u00e9tica que ocorreu entre os dia 1 e 2 de setembro de 1859, ficou conhecida como o maior fen\u00f4meno do g\u00eanero j\u00e1 registrado pela humanidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_4043\" style=\"width: 423px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4043\" data-attachment-id=\"4043\" data-permalink=\"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/uma-aurora-austral-no-rio-de-janeiro\/chile\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Chile.jpg?fit=720%2C450\" data-orig-size=\"720,450\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Chile\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Chile.jpg?fit=300%2C188\" data-large-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Chile.jpg?fit=720%2C450\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4043\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Chile.jpg?resize=413%2C258\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o da aurora austral vista em Santiago do Chile, em 1859\" width=\"413\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Chile.jpg?w=720 720w, https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Chile.jpg?resize=300%2C188 300w, https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Chile.jpg?resize=353%2C220 353w\" sizes=\"(max-width: 413px) 100vw, 413px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p id=\"caption-attachment-4043\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o da aurora austral vista em Santiago do Chile, em 1859<\/p><\/div>\n<p>Apesar de n\u00e3o existir nenhuma refer\u00eancia hist\u00f3rica de auroras causadas pelo evento no Brasil, que \u00e0 \u00e9poca estava em uma latitude geomagn\u00e9tica mais desfavor\u00e1vel que agora, no Chile o fen\u00f4meno das Auroras foi visto em v\u00e1rias cidades, incluindo as coloniais Santiago do Chile e Concepc\u00edon!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O relato do evento chileno pode ser encontrado no texto &#8220;<a href=\"https:\/\/www.schhg.cl\/wp-schhg\/2019\/09\/10\/auroras-boreales-santiago-y-concepcion-1859\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Soc. Chilena de Hia. y Geograf\u00eda &#8211; N\u00ba 9 , SETIEMBRE DE 1859, Tomo XVI.<\/a><br \/>\nMETEOROLOG\u00cdA.\u2014Aparici\u00f3n de una Aurora austral en Santiago y Concepci\u00f3n.&#8221;<\/p>\n<p>Pesquisas hist\u00f3ricas sobre a ocorr\u00eancia de Auroras Austrais visiveis no Brasil durante o Evento Carrington, feitas por Denny M. Freitas et al no artigo &#8220;<a href=\"https:\/\/earth-planets-space.springeropen.com\/articles\/10.1186\/s40623-020-01208-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A possible case of sporadic aurora observed at Rio de Janeiro<\/a>&#8221; mostram que n\u00e3o tivemos relatos na imprensa de auroras no Brasil em 1859, por\u00e9m relata um caso interessante de uma possivel aurora espor\u00e1dica registrada no Rio de Janeiro em 15 de fevereiro de 1875, quando o experiente astr\u00f4nomo franc\u00eas e ent\u00e3o diretor do Observat\u00f3rio Imperial, Emmanuel Liais, observou nos c\u00e9us do Rio o que seria uma forte e duradoura Aurora Austral. O relato foi publicado resumidamente no Jornal do Commercio (RJ) e em sua \u00edntegra no jornal A Na\u00e7\u00e3o: Jornal Politico, Commercial e Litterario (RJ).<\/p>\n<div id=\"attachment_4044\" style=\"width: 387px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4044\" data-attachment-id=\"4044\" data-permalink=\"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/uma-aurora-austral-no-rio-de-janeiro\/aurora_jornal\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Aurora_Jornal.png?fit=590%2C2048\" data-orig-size=\"590,2048\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Aurora_Jornal\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Aurora_Jornal.png?fit=86%2C300\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Aurora_Jornal.png?fit=295%2C1024\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4044\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Aurora_Jornal.png?resize=377%2C1308\" alt=\"Recorte de Jornal -A Na\u00e7\u00e3o : Jornal Politico, Commercial e Litterario (RJ)\" width=\"377\" height=\"1308\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Aurora_Jornal.png?w=590 590w, https:\/\/i0.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Aurora_Jornal.png?resize=295%2C1024 295w, https:\/\/i0.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Aurora_Jornal.png?resize=443%2C1536 443w\" sizes=\"(max-width: 377px) 100vw, 377px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p id=\"caption-attachment-4044\" class=\"wp-caption-text\">A Na\u00e7\u00e3o : Jornal Politico, Commercial e Litterario (RJ) 1875<\/p><\/div>\n<p><strong>Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1875<\/strong><\/p>\n<p>Jornal A Na\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><b>Aurora austral:<\/b>\u00a0<em>O Sr. Emmanuel Liais, director do observatorio astronomico do Rio de Janeiro, enviou-nos ontem as sequintes observa\u00e7\u00f5es que fez sobre a aurora austral, de que j\u00e1 d\u00e9mos resumida not\u00edcia:<\/em><\/p>\n<p><em>A\u2019s 7 3\/4 da noite foi a minha aten\u00e7\u00e3o despertada por uma especie de v\u00e9o espalhado sobre todo o c\u00e9o formando uma serie de listras esbranqui\u00e7adas, que come\u00e7avam ao sul sobre um arco de circulo, cujo centro achava-se abaixo do horisonte, na dire\u00e7\u00e3o da agulha magnetica de inclina\u00e7\u00e3o. As listras ou raios eram de tal extens\u00e3o que atravessavam o c\u00e9o do sul ao norte, onde convergiam para o ponto diametralmente oposto.<\/em><\/p>\n<p><em>Esta disposi\u00e7\u00e3o, reproduzindo a forma das auroras boreaes, fez-me desde logo supp\u00f4r que bem podia ser uma aurora austral o phenomeno que presenciava; infelizmente n\u00e3o podia affirmal-o por causa da presen\u00e7a da lua momentos depois, por\u00e9m, fiquei inteiramente convencido disso, gra\u00e7as a outras circumstancias que o acompanh\u00e1ram.<\/em><\/p>\n<p><em>Com effeito, depois de cinco minutos de observa\u00e7\u00e3o, passaram de o\u00e9ste para l\u00e9ste, e duas vezes manifestaram-se varia\u00e7\u00f5es successivas de intensidade nos raios, como se d\u00e1 frequentemente nas auroras boreaes e austraes. Al\u00e9m disso, passados mais alguns minutos os raios, cujas intensidades haviam augmentado, tomaram na parte inferior uma tenue c\u00f4r avermelhada e na superior verde desmaiada, que n\u00e3o podia ser effeito da luz reflectida da lua.<\/em><\/p>\n<p><em>Observei ent\u00e3o com o espectroscopio, onde appareciam linhas brilhantes, indicio certo de luzes proprias. Todas elas pertenciam ao enxofre, substancia que, como \u00e9 sabido, encontra-se em quantidade apreciavel na atmosphera.<\/em><\/p>\n<p><em>Em seguida olhei para o norte, onde vi dous relampagos, e notei que se formavam pequenas nuvens de uma f\u00f3rma variavel pelo effeito de condensa\u00e7\u00e3o e da dissolu\u00e7\u00e3o de vapores. Muitas nuvens caminhavam na dire\u00e7\u00e3o de l\u00e9ste, um pouco ao sul, passando abaixo dos raios da aurora; ao mesmo tempo estes diminuiam de intensidade e as c\u00f4res da parte inferior tinham desapparecido.<\/em><\/p>\n<p><em>Observei mais um halo fraco em volta da lua, dentro de um tenue v\u00e9o de vapor, e como j\u00e1 o assignalou por Bravais, este halo era um tanto mais forte nas intercep\u00e7\u00f5es com os raios da aurora. Pouco depois estes raios come\u00e7aram a encurtar e a retirar-se para o Sul.<\/em><\/p>\n<p><em>Foi ent\u00e3o que deixando a observa\u00e7\u00e3o \u00e1s 8 horas e 20 minutos, mandei para o\u00a0<u>Jornal<\/u>\u00a0a noticia deste phenomeno. Quando tornei a subir ao terra\u00e7o os numerosos raios existiam ainda, porem mais curtos e mais fracos. Pelas 8 horas e 40 minutos come\u00e7aram a desapparecer, e \u00e1s 9 horas s\u00f3 se vi\u00e3o pequenos vestigios delles junto ao horisonte, de l\u00e9ste a oeste particularmente.<\/em><\/p>\n<p><em>A\u2019s 10 horas parecia quererem formar-se outra vez dous ou tres raios, mas desappareceram pouco depois, e pequenas nuvens condensaram-se sobre diversos pontos do c\u00e9o. Nada mais aconteceu at\u00e9 \u00e0s 3 horas da madrugada, occasi\u00e3o em que fui chamado para v\u00ear dous raios brilhantes que tinham reapparecido a leste, e que por causa da ausencia da luz lunar, chammavam mais a atten\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Depois de diminuirem, reapparec\u00earam quatro raios na mesma regi\u00e3o, mais fracos, por\u00e9m, do que os primeiros, e duraram at\u00e9 que a luz do dia nascente veio fazer cessar de todo o phenomeno, e ao amanhecer o c\u00e9o mostrou-se coberto de tenues cirrus.<\/em><\/p>\n<p><em>S\u00e3o estes os pormenores da observa\u00e7\u00e3o, cujas deduc\u00e7\u00f5es far\u00e3o o objeto de uma memoria especial.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o se conhece a natureza do que foi observado pelo cientista naquela noite, nem mesmo se era uma aurora austral espor\u00e1dica e an\u00f4mala ou outro fen\u00f4meno, por\u00e9m se sabe que Emmanuel era um experiente observador do c\u00e9u e de auroras boreais e que possivelmente n\u00e3o se deixaria confundir com fen\u00f4menos de outra natureza.<\/p>\n<p>Resta saber se realmente \u00e0quela \u00e9poca, seria possivel uma aurora austral t\u00e3o ao norte, de forma t\u00e3o contundente e duradoura. Uma pergunta que fica aos estudiosos do fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>Agradecimentos a Andr\u00e9s Esteban pela refer\u00eancia acerca da aurora vista no Chile, em 1859.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"wpm_excerpt clearfix\"><p>A atividade solar de maio 2024 tem causado bel\u00edssimas auroras boreais e&hellip;<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":2,"featured_media":4043,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":""},"categories":[4,184,5],"tags":[294,296,295],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Chile.jpg?fit=720%2C450","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4042"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4042"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4042\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4047,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4042\/revisions\/4047"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4043"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}