{"id":3070,"date":"2020-04-10T20:54:20","date_gmt":"2020-04-10T23:54:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/?p=2900"},"modified":"2020-04-10T20:54:20","modified_gmt":"2020-04-10T23:54:20","slug":"sprites-vermelhos-os-misteriosos-espiritos-do-ar-flagrados-em-cameras-ao-redor-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/sprites-vermelhos-os-misteriosos-espiritos-do-ar-flagrados-em-cameras-ao-redor-do-mundo\/","title":{"rendered":"Sprites Vermelhos &#8211; Os Misteriosos Esp\u00edritos do Ar Flagrados em C\u00e2meras ao Redor do Mundo"},"content":{"rendered":"<p>SOBRENATURAIS, \u00e9 como geralmente chamam-se aqueles fen\u00f4menos os quais n\u00e3o se podem explicar a partir de nosso conhecimento da natureza. Existe um desses fen\u00f4menos que eram considerados sobrenaturais at\u00e9 o momento em que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico permitiu seu registro, estudo e sua explica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das leis naturais da f\u00edsica. Os &#8220;Sprites&#8221;, at\u00e9 o final do S\u00e9culo XX, eram fen\u00f4menos pouco conhecidos, cujo estudo se limitavam a alguns poucos relatos e especula\u00e7\u00f5es em torno desses relatos.<\/p>\n<div id=\"attachment_2905\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/fadas_no_ceu.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2905\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2905\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/fadas_no_ceu.jpg?resize=640%2C377\" alt=\"Sprites em forma de 'fadas' registrados em Jo\u00e3o Pessoa - Cr\u00e9ditos: BRAMON\" width=\"640\" height=\"377\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2905\" class=\"wp-caption-text\">Sprites em forma de &#8216;fadas&#8217; registrados em Jo\u00e3o Pessoa &#8211; Cr\u00e9ditos: BRAMON<\/p><\/div>\n<p>No segundo volume do livro &#8220;Neue Kleine Schriften&#8221; (Novas Pequenas Escritas), o alem\u00e3o Johann Georg Estor, relata algo interessante presenciado por ele em Vogelsberg. Durante uma tarde bastante fechada do ano de 1730, Estor subiu uma das montanhas mais altas daquela regi\u00e3o atravessando uma nuvem de tempestade. Ao chegar no alto dessa montanha, viu o c\u00e9u azul acima dele e as nuvens abaixo formando um mar branco, do qual os flashes subiram tamb\u00e9m diretamente para o c\u00e9u. Este \u00e9, provavelmente, o mais antigo relato da observa\u00e7\u00e3o de sprites que se tem not\u00edcia.<\/p>\n<div id=\"attachment_2906\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/livro_estor.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2906\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2906\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/livro_estor.jpg?resize=640%2C266\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"266\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2906\" class=\"wp-caption-text\">Primeiro relato de observa\u00e7\u00e3o de sprites no livro &#8220;Neue Kleine Schriften&#8221; de Johann Georg Estor<\/p><\/div>\n<p>Sprites s\u00e3o eventos luminosos transit\u00f3rios de origem el\u00e9trica que ocorrem acima das nuvens de tempestade. S\u00e3o geradas por intensas descargas el\u00e9tricas que partem dos topos da nuvens e se estendem at\u00e9 o limite superior da mesosfera (em torno de 95 Km de altitude). Em certa altura, essa descarga gera um flash de plasma que, por alguns milissegundos, se torna iluminado assumindo formatos variados. Alguns podem parecer colunas de luz, alguns se assemelham a p\u00e9s de cenouras e outros, podem apresentar formato semelhante \u00e0 fadas. Com isso, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar que, por muito tempo, muitos daqueles que visualizavam esses flashes, os associavam a fen\u00f4menos sobrenaturais como fantasmas ou OVNIs. Algumas das explica\u00e7\u00f5es consideradas naquela \u00e9poca \u00e9 que seria apenas uma ilus\u00e3o de \u00f3ptica e haviam at\u00e9 quem duvidava da sanidade mental das testemunhas.<\/p>\n<div id=\"attachment_2901\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/SpritesHD_Vetter_1000.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2901\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2901\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/SpritesHD_Vetter_1000.jpg?resize=640%2C578\" alt=\"Sprites registrados em alta defini\u00e7\u00e3o a partir da It\u00e1lia - Cr\u00e9ditos: Stephane Vetter\" width=\"640\" height=\"578\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2901\" class=\"wp-caption-text\">Sprites registrados em alta defini\u00e7\u00e3o a partir da It\u00e1lia &#8211; Cr\u00e9ditos: Stephane Vetter<\/p><\/div>\n<p>Os s\u00e9culos se passaram e v\u00e1rios outros textos cient\u00edficos relatavam flashes luminosos acima de nuvens de tempestades. Al\u00e9m das populares associa\u00e7\u00f5es \u00e0 fen\u00f4menos sobrenaturais, ps\u00edquicos, fantasmas e OVNIs, algumas explica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas sobre as origens desses fen\u00f4menos foram especuladas. Mas de fato, essa \u00e1rea de estudo s\u00f3 come\u00e7ou a ter alguma credibilidade e relev\u00e2ncia a partir de 1989, quando os primeiros sprites foram registrados acidentalmente em uma c\u00e2mera de v\u00eddeo.<\/p>\n<p>Na noite de 6 de julho daquele ano, o Professor John Winckler, F\u00edsico de Auroras da Universidade de Minnesota (Estados Unidos), testava uma c\u00e2mera de televis\u00e3o que queria usar para filmar um lan\u00e7amento de foguete. A c\u00e2mera era especialmente desenvolvida para trabalhar em situa\u00e7\u00f5es de baixa luminosidade. Na fita gravada por Winckler naquela noite, em apenas dois quadros de v\u00eddeo, apareceram colunas brilhantes de luz, elevando-se acima das long\u00ednquas montanhas do norte de Minnesota. Essa foi a primeira grava\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno, que foi inicialmente chamado de &#8220;raio nuvem-espa\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>Nos anos que se seguiram, v\u00e1rios pesquisadores utilizando c\u00e2meras de alta sensibilidade registraram esses raios. Um novo campo de pesquisa estava se abrindo. Outros fen\u00f4menos parecidos foram registrados como os &#8220;Blue Jets&#8221;, jatos azulados partindo do topo das nuvens de tempestade, e os rar\u00edssimos &#8220;Gigantic Jets&#8221;, que s\u00e3o jatos gigantescos partindo azulados desde o topo das nuvens de tempestade, se tornam avermelhados e atingem at\u00e9 os limites superiores da mesosfera, a cerca de 95 Km de altitude.<\/p>\n<p>Em 1995, a partir de uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Alaska Fairbanks, cunhava-se o termo &#8220;Red Sprites&#8221; para nomear os rec\u00e9m descobertos fen\u00f4menos. O nome &#8220;Sprite&#8221; remete \u00e0 uma criatura do folclore europeu tamb\u00e9m chamada de &#8220;esp\u00edrito do ar&#8221;. \u00c9 um nome que lembra a origem destes fen\u00f4menos que, por muitas vezes, tinham explica\u00e7\u00f5es sobrenaturais.<\/p>\n<p>V\u00eddeo: Resultados da pesquisa desenvolvida pela Universidade de Alaska Fairbanks:<\/p>\n<p><iframe title=\"&quot;Red Sprites &amp; Blue Jets&quot;  - the video\" width=\"854\" height=\"641\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1xVThAFfP0E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Na pesquisa da Universidade de Alaska Fairbanks, foram utilizadas c\u00e2meras instaladas em 2 avi\u00f5es voando em posi\u00e7\u00f5es distintas ao redor de uma tempestade. Foi medido que os sprites duram em m\u00e9dia 16 milissegundos e, por triangula\u00e7\u00e3o, foi calculado que eles se estendem entre 50 e 90 quil\u00f4metros de altitude e tem uma largura entre 5 e 30 quil\u00f4metros.<\/p>\n<div id=\"attachment_2902\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/BigRed-Sprite.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2902\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2902\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/BigRed-Sprite.jpg?resize=640%2C499\" alt=\"Primeira imagem colorida de um Sprite - Cr\u00e9ditos: Universidade de Alaska Fairbanks\" width=\"640\" height=\"499\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2902\" class=\"wp-caption-text\">Primeira imagem colorida de um Sprite &#8211; Cr\u00e9ditos: Universidade de Alaska Fairbanks<\/p><\/div>\n<p>A partir da\u00ed, universidades e institui\u00e7\u00f5es governamentais se envolveram cada vez mais nessa linha de pesquisa. Mas surgiu tamb\u00e9m, uma oportunidade para que cientistas amadores pudessem participar da pesquisa, principalmente no in\u00edcio dos anos 2000, quando o pre\u00e7o das c\u00e2meras de alta sensibilidade foi ficando cada vez mais acess\u00edvel. Era o fortalecimento do &#8220;Ci\u00eancia Cidad\u00e3&#8221;, um tipo de pesquisa cient\u00edfica baseada na participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios cidad\u00e3os comuns. Para o registro de sprites, a participa\u00e7\u00e3o dos dessas pessoas foi importante para criar pontos de observa\u00e7\u00e3o em locais distintos de um mesmo pa\u00eds ou at\u00e9 mesmo ao redor do mundo.<\/p>\n<p>No Brasil, o primeiro registro de um sprite ocorreu em 2002, atrav\u00e9s de um trabalho de pesquisa realizado em parceria entre a Universidade de Washington e o INPE &#8211; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Al\u00e9m das pesquisas realizadas no INPE e nas universidades brasileiras, desde 2014, com o surgimento da BRAMON &#8211; Rede Brasileira de Observa\u00e7\u00e3o de Meteoros, os sprites s\u00e3o sistematicamente registrados em todo o Brasil. A BRAMON \u00e9 uma iniciativa de Ci\u00eancia Cidad\u00e3 baseada em uma rede colaborativa formada por astr\u00f4nomos amadores e profissionais e que tem como objetivo principal o registro da passagem de meteoros pelos c\u00e9us do Brasil. Entretanto, sua estrutura de c\u00e2meras espalhadas por todo o Pa\u00eds, permite tamb\u00e9m o registro de fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos como os sprites. J\u00e1 em 2014, ocorreram os primeiros registros a partir de Goi\u00e2nia. Hoje, a BRAMON \u00e9 uma das redes colaborativas que mais registram esse tipo de fen\u00f4meno em todo o mundo.<\/p>\n<p>V\u00eddeo: 186 sprites registrados pelas esta\u00e7\u00f5es CFJ\/RS em apenas uma noite\u00a0 &#8211; Cr\u00e9ditos: Dr. Carlos Jung \/ BRAMON<\/p>\n<p><iframe title=\"SPRITE STORM 2018\" width=\"854\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qrBgq6bIN3I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos sprites, desde 2017, a rede tamb\u00e9m passou a registrar os fabulosos Gigantic Jets, uma classe rara de Eventos Luminosos Transientes e que at\u00e9 hoje, todos os registros deles no Brasil ocorreram atrav\u00e9s das c\u00e2meras da BRAMON. Isso vem mostrando a import\u00e2ncia da Ci\u00eancia Cidad\u00e3 nesse tipo de pesquisa e fortalecendo a colabora\u00e7\u00e3o entre estas iniciativas cidad\u00e3s e as universidades e institutos de pesquisa.<\/p>\n<p>V\u00eddeo: Gigantic Jets registrados pela BRAMON entre 2017 e 2020<\/p>\n<p><iframe title=\"Gigantic Jets - Brasil, 2017 - 2020\" width=\"854\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9zKyyzwHiYo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Nos dias atuais, mais de 30 anos ap\u00f3s o primeiro registro em v\u00eddeo, nosso conhecimento a respeito desse fen\u00f4meno j\u00e1 evoluiu bastante. De fato, os sprites que antes eram quase desprezados pela ci\u00eancia e tinham quase t\u00e3o pouca credibilidade quanto a ufologia, passaram a ser um fen\u00f4meno amplamente estudado e tem nos ajudado a entender mais sobre nossa atmosfera. Entretanto, o pouco tempo de pesquisa ainda deixam muitas perguntas sem respostas, envolvendo os sprites em um v\u00e9u de mist\u00e9rios e motivando ainda mais os cientistas, amadores e profissionais, a continuarem a registrar e estudar estes fant\u00e1sticos fen\u00f4menos da natureza.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"wpm_excerpt clearfix\"><p>SOBRENATURAIS, \u00e9 como geralmente chamam-se aqueles fen\u00f4menos os quais n\u00e3o se podem&hellip;<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":15,"featured_media":2944,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":""},"categories":[5],"tags":[180,21,181],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i1.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/SpritesHD_Vetter_1000.jpg?fit=1000%2C903","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3070"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3070"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3070\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2944"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}