{"id":1651,"date":"2018-03-20T03:12:13","date_gmt":"2018-03-20T06:12:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/?p=1651"},"modified":"2020-10-06T09:37:39","modified_gmt":"2020-10-06T12:37:39","slug":"a-queda-do-palacio-celestial-tudo-sobre-a-reentrada-da-tiangong-1","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/a-queda-do-palacio-celestial-tudo-sobre-a-reentrada-da-tiangong-1\/","title":{"rendered":"A Queda do Pal\u00e1cio Celestial &#8211; Tudo sobre a reentrada da Tiangong-1"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Tiangong-1,\u00a0um m\u00f3dulo pressurizado de 10 metros da esta\u00e7\u00e3o espacial chinesa, \u00a0est\u00e1 se aproximando de uma reentrada descontrolada na atmosfera da Terra nos pr\u00f3ximos dias, ap\u00f3s sofrer uma falha de energia em 2016, marcando o in\u00edcio de uma descida lenta em dire\u00e7\u00e3o a sua eventual desintegra\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/tiangong-assembly-512x295.jpg?resize=512%2C295\" width=\"512\" height=\"295\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Photo: China National Space Administration<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A reentrada de Tiangong-1 \u00e9 considerada um &#8220;evento de alto risco&#8221; por aqueles que rastreiam eventos como este porque fragmentos do m\u00f3dulo sobreviver\u00e3o e impactar\u00e3o o solo. No entanto, o risco de qualquer indiv\u00edduo ser atingido \u00e9 min\u00fasculo, bem abaixo da probabilidade de ser atingido por um raio, ao contr\u00e1rio do que a imprensa sensacionalista estar\u00e1 escrevendo a respeito do mergulho ardente da nave espacial.<\/span><\/p>\n<p>Veja aqui uma <a href=\"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/reentrada-da-tiangong-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">s\u00edntese atualizada das previs\u00f5es de reentrada<\/a>.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A seguir,\u00a0ser\u00e1 apresentada uma vis\u00e3o aprofundada sobre a nave espacial Tiangong-1 e sua miss\u00e3o, bem como os riscos associados \u00e0 sua reentrada descontrolada para a atmosfera. <\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400;\">Resumo<\/span><\/h1>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/TG-2-071-512x310.jpg?resize=512%2C310\" width=\"512\" height=\"310\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Tiangong-1 (\u00e0 esquerda) com a espa\u00e7onave Shenzhou acoplada &#8211; Imagem: China Manned Space Engineering Office<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Tiangong-1 (termo em chin\u00eas para &#8220;Pal\u00e1cio Celestial&#8221;) foi lan\u00e7ada pelos chineses em setembro de 2011 como o primeiro m\u00f3dulo da esta\u00e7\u00e3o espacial do pa\u00eds, servindo como um passo para uma grande esta\u00e7\u00e3o modular, com recursos permanentes no futuro. A nave tinha uma massa de 8.506 Kg e operava em uma \u00f3rbita de 370 Km em grande parte de sua miss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A TG-1 recebeu um total de tr\u00eas espa\u00e7onaves visitantes: Shenzhou-8 em 2011, quando foi realizada a primeira manobra de acoplamento da China; a Shenzhou-9, que levou uma tripula\u00e7\u00e3o de tr\u00eas taikonautas (como s\u00e3o conhecidos os astronautas chineses) para o complexo em 2012 para o primeiro acoplamento manual realizado pela China; e a Shenzhou-10, novamente com uma tripula\u00e7\u00e3o de tr\u00eas taikonautas em 2013 para uma estadia de duas semanas se familiarizando com a habita\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para coletar o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, a China queria manter a Tiangong-1 em opera\u00e7\u00e3o pelo tempo que fosse poss\u00edvel para provar a longevidade da tecnologia de seu m\u00f3dulo de esta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/BX-2-Image-of-TG2-SZ11-512x384.jpg?resize=512%2C384\" width=\"512\" height=\"384\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Tiangong-2 (similar \u00e0 TG-1) e Shenzhou-11 fotografado pelo sat\u00e9lite companheiro Banxing-2 &#8211; Cr\u00e9ditos: CAS \/ 9ifly.cn<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, a Tiangong-1 parou de realizar as manobras regulares de manuten\u00e7\u00e3o orbital em dezembro de 2015. As informa\u00e7\u00f5es vazavam lentamente e s\u00f3 ficou claro que a China havia perdido o controle do m\u00f3dulo da esta\u00e7\u00e3o em meados de 2016, quando a ag\u00eancia de not\u00edcias estatal chinesa confirmou que a nave havia sofrido uma falha de energia el\u00e9trica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sem a capacidade de controlar sua \u00f3rbita, a Tiangong-1 iniciou uma lenta descida em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 atmosfera.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Visto que a atmosfera da Terra \u00e9 altamente din\u00e2mica e reage \u00e0 influ\u00eancias externas como a atividade solar, uma localiza\u00e7\u00e3o ou hora exata para que ela se transforme em uma bola de fogo em sua reentrada, n\u00e3o pode ser prevista. Entretanto, a medida em que nos aproximamos do evento, as previs\u00f5es se tornam mais refinadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Devido a sua constru\u00e7\u00e3o robusta e de grande porte, a Tiangong-1 n\u00e3o vai se desintegrar totalmente durante a reentrada. C\u00e1lculos conservadores indicam que ao menos uma tonelada da nave espacial poderia sobreviver e chegar ao solo, em qualquer lugar entre as latitudes 43\u00b0 norte e 43\u00b0 sul.<\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400;\">Reentradas Anteriores de Esta\u00e7\u00f5es Espaciais<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Tiangong-1 n\u00e3o \u00e9 a primeira esta\u00e7\u00e3o espacial a se destruir em uma reentrada descontrolada. Na verdade, alguns sofreram um destino semelhante nos primeiros passos do homem no espa\u00e7o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro foi Kosmos-557, originalmente destinado a se tornar o Salyut-3, a terceira esta\u00e7\u00e3o espacial Salyut da R\u00fassia. No entanto, logo ap\u00f3s o lan\u00e7amento bem sucedido em um foguete Proton em maio de 1973, o m\u00f3dulo de 19,4 toneladas m\u00e9tricas encontrou um erro no sistema de controle de v\u00f4o que levou os propulsores de orienta\u00e7\u00e3o da nave a disparar at\u00e9 que seus tanques estivessem vazios. Encalhado em uma \u00f3rbita de 218 x 266 Km, a esta\u00e7\u00e3o estava de frente para uma reentrada r\u00e1pida. Para evitar o constrangimento, os sovi\u00e9ticos tentaram minimizar o fracasso chamando a nave espacial de Kosmos 557, que reentrou apenas 11 dias ap\u00f3s seu lan\u00e7amento.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/06\/orb_dos7-512x308.jpg?resize=512%2C308\" width=\"512\" height=\"308\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Esta\u00e7\u00e3o Espacial Salyut com Soyuz acoplada &#8211; Imagem: GCTC<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para completar o vexame, a Salyut-2, pesando cerca de 18,5 toneladas, reentrou \u00e0 atmosfera de forma descontrolada menos de uma semana ap\u00f3s Kosmos 557, depois de permanecer apenas 54 dias em \u00f3rbita. O ve\u00edculo teve inicialmente um lan\u00e7amento bem sucedido, mas o terceiro est\u00e1gio do foguete Proton explodiu tr\u00eas dias depois colocar a Salyut-2 em \u00f3rbita, e um destro\u00e7o do foguete atingiu a nave em seu 13\u00ba dia de miss\u00e3o, provocando um vazamento da press\u00e3o interna, fazendo a esta\u00e7\u00e3o girar descontroladamente at\u00e9 cair.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/06\/Skylab-SL4-512x417.jpg?resize=512%2C417\" width=\"512\" height=\"417\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Skylab fotografada por seus \u00faltimos tripulantes &#8211; Foto: NASA<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas a maior esta\u00e7\u00e3o espacial a reentrar na atmosfera de forma parcialmente descontrolada \u00a0foi a Skylab em julho de 1979, ap\u00f3s mais de seis anos em \u00f3rbita, servindo como o primeiro posto americano avan\u00e7ado de longa dura\u00e7\u00e3o. Depois de hospedar tr\u00eas tripula\u00e7\u00f5es por um total de 171 dias entre 1973 e 1974, o Skylab foi deixado em uma \u00f3rbita est\u00e1vel de 433 x 435 Km depois de um impulso final durante a terceira miss\u00e3o tripulada para prolongar a vida orbital para futuras miss\u00f5es, j\u00e1 que havia abund\u00e2ncia de suprimentos ainda dispon\u00edvel a bordo do complexo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com sua compreens\u00e3o limitada da din\u00e2mica de decomposi\u00e7\u00e3o orbital, a NASA previu que Skylab poderia ficar em \u00f3rbita por quase uma d\u00e9cada, servido para os ent\u00e3o futuros \u00f4nibus espaciais, para uma potencial miss\u00e3o de servi\u00e7o. At\u00e9 1977\/78, os estudos mostraram que os sistemas de Skylab ainda estavam operacionais e a esta\u00e7\u00e3o era segura para a habita\u00e7\u00e3o humana. No entanto, os planos para uma visita de retorno nunca receberam os fundos necess\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Curiosamente, o enorme corpo do foguete S-II de cinquenta metros de altura que colocou o Skylab em \u00f3rbita reentrou \u00e0 atmosfera em janeiro de 1975. Foi um evento que recebeu pouca ou nenhuma aten\u00e7\u00e3o da imprensa, mas a NASA observou de perto como v\u00e1rias partes pesadas, incluindo a os cinco motores J-2, deveriam sobreviver \u00e0 reentrada. O S-II reentrou de forma inofensiva sobre o oceano, mas o evento foi um alerta para a NASA, de que algumas medidas deveriam ser tomadas quando os \u00faltimos dias de Skylab se aproximassem. <\/span><\/p>\n<div style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/06\/Skylab_3_flyaround-502x512.jpg?resize=502%2C512\" width=\"502\" height=\"512\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Foto: NASA<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com Skylab se aproximando da reentrada, foram realizados estudos que indicavam que cerca de 25 toneladas da esta\u00e7\u00e3o poderiam atingir a superf\u00edcie, com cerca de 500 pe\u00e7as espalhadas em uma \u00e1rea de 1500 Km de largura e 6000 Km de comprimento. Pelo padr\u00e3o de c\u00e1lculo atuais, o Skylab foi o evento de reentrada mais perigoso at\u00e9 hoje, com quase 0,65% de chances de atingir uma pessoa e 10% de chances de atingir uma cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para diminuir as chances da Skylab entrar em territ\u00f3rio populoso, o controle da NASA tentou modificar o arrasto da esta\u00e7\u00e3o, ajustando sua orienta\u00e7\u00e3o para apontar um pouco para um grande trecho de oceano, idealmente iniciando o processo de entrada no sudeste da Cidade do Cabo na \u00c1frica do Sul.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A reentrada iniciou \u00e0s 16:37 UTC de 11 de julho de 1979 e Skylab conseguiu permanecer sem se despeda\u00e7ar at\u00e9 16 Km de altitude (para uma nave espacial moderna t\u00edpica, a destrui\u00e7\u00e3o come\u00e7aria em torno de 65 Km de altitude). Os restos de Skylab acabaram caindo na Austr\u00e1lia Ocidental sem que ningu\u00e9m tivesse se ferido como resultado da reentrada da espa\u00e7onave.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Skylab foi o segundo equipamento mais pesado a reentrar na atmosfera. O mais pesado foi a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Mir que fez uma reentrada controlada em mar\u00e7o de 2001, e s\u00f3 deve ser superada quando a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional for propositadamente derrubada no final de sua vida \u00fatil. <\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400;\">Tiangong-1 &#8211; Projeto da Nave e Vis\u00e3o Geral da Miss\u00e3o<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Tiangong-1 foi levada \u00e0 \u00f3rbita no dia 29 de setembro de 2011, a bordo do foguete Longa Marcha 2F (CZ-2F), \u00a0lan\u00e7ado no Centro de Lan\u00e7amento de Sat\u00e9lites de Jiuquan no Deserto de Gobi na China. Foi o primeiro m\u00f3dulo da esta\u00e7\u00e3o espacial chinesa a chegar em \u00f3rbita com o principal objetivo de demonstrar a tecnologia e os aspectos operacionais necess\u00e1rios para uma grande e modular esta\u00e7\u00e3o espacial, que a China planeja implantar at\u00e9 o final da d\u00e9cada.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/U86P4T426D67753F16470DT20110929214638-512x358.jpg?resize=512%2C358\" width=\"512\" height=\"358\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Lan\u00e7amento do CZ-2F levando a Tiangong-1 &#8211; Foto: ChinaNews.com<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A nave espacial Tiangong-1 tem 10,4 metros de comprimento e pesava, no lan\u00e7amento, \u00a08506 Kg. Se descontado o combust\u00edvel, sua massa seca seria de cerca de 7,5 toneladas. \u00c9 composta de um M\u00f3dulo de Servi\u00e7o de 2,8 metros de di\u00e2metro que hospeda os sistemas el\u00e9tricos e de propuls\u00e3o, e um M\u00f3dulo Orbital de 3,35 metros que cont\u00e9m os equipamentos de suporte \u00e0 vida, sistemas de apoio da tripula\u00e7\u00e3o e equipamentos de pesquisa, oferecendo 15 m\u00b3 de volume pressurizado. Com seus dois pain\u00e9is solares para gera\u00e7\u00e3o de energia, a Tiangong-1 tem uma envergadura total de 17 metros.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/1316733189_93073-512x341.jpg?resize=512%2C341\" width=\"512\" height=\"341\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Foto: China Mail<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O M\u00f3dulo de Servi\u00e7o, com cerca de 3,5 metros de comprimento, hospeda quatro grandes tanques de propuls\u00e3o com capacidade de 230 litros de propelente (combust\u00edvel de Monometilhidrazina e oxidante de Tetr\u00f3xido de Nitrog\u00eanio), alimentando um par de motores principais de 490 Newtons, oito jatos de vernier e 16 propulsores para controle de atitude. N\u00e3o se sabe quanto propelente ainda resta nos tanques da espa\u00e7onave, mas pode ser um fator de risco associado \u00e0 sua reentrada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma Se\u00e7\u00e3o de Transfer\u00eancia une o M\u00f3dulo de Servi\u00e7o ao M\u00f3dulo Orbital de maior di\u00e2metro, contendo tamb\u00e9m tanques de g\u00e1s e \u00e1gua para o sistema de controle ambiental. No final do M\u00f3dulo Orbital de 5 metros de comprimento est\u00e1 o sistema de ancoragem APAS com 1,4 metros de di\u00e2metro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Tiangong-1 e sua sucessora foram os elementos centrais na segunda fase de um processo em tr\u00eas etapas delineado no Programa Espacial Tripulado da China. Oficialmente iniciado em 1992 sob o nome de c\u00f3digo Projeto 921-2, o programa exigiu tr\u00eas fases principais: enviar um humano para o espa\u00e7o, estabelecer as ferramentas necess\u00e1rias para a habita\u00e7\u00e3o de longa dura\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o e implantar uma grande esta\u00e7\u00e3o espacial modular.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/8360020_orig-512x396.jpg?resize=512%2C396\" width=\"512\" height=\"396\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Tripula\u00e7\u00e3o do Shenzhou-9 a bordo da Tiangong-1<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira fase terminou em 2003, quando Yang Liwei se tornou o primeiro humano da China no espa\u00e7o, orbitando a Terra por 21 horas a bordo da nave espacial Shenzhou-5. Para a segunda fase, a China analisou uma s\u00e9rie de desafios a serem superados &#8211; especificamente o desenvolvimento de uma nave espacial com capacidade de operar por longos per\u00edodos, tecnologia de ancoragem orbital, sistemas avan\u00e7ados de suporte \u00e0 vida e uma arquitetura de carga operacional para atender uma esta\u00e7\u00e3o espacial de longo prazo .<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estabelecendo opera\u00e7\u00f5es em uma \u00f3rbita a 370 Km de altitude, inclinada 42,8\u00b0, a Tiangong-1 foi primeiro visitada pela miss\u00e3o n\u00e3o-tripulada Shenzhou-8. A Shenzhou-8 foi lan\u00e7ada em um foguete CZ-2F em 31 de outubro de 2011 e ligou-se \u00e0 Tiangong-1 para uma acoplagem totalmente automatizada dois dias ap\u00f3s o lan\u00e7amento, marcando o primeiro acoplamento da China no espa\u00e7o. Antes que a Shenzhou-8 voltasse \u00e0 Terra, depois de um v\u00f4o de 18 dias, um segundo acoplamento ainda mais desafiador, mostrou que o sistema de navega\u00e7\u00e3o guiado por r\u00e1dio e laser da China poderia lidar com condi\u00e7\u00f5es de ilumina\u00e7\u00e3o extremas.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/8335752_orig-512x285.jpg?resize=512%2C285\" width=\"512\" height=\"285\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Shenzhou-10 chegando na Tiangong-1 &#8211; Foto: CCTV<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No dia 18 de junho de 2012, dois dias ap\u00f3s o lan\u00e7amento, a Shenzhou-9 \u00e2ncora na Tiangong-1, com tr\u00eas tripulantes, incluindo a primeira mulher chinesa no espa\u00e7o. Depois de seis dias, a Shenzhou-9 desacoplou e recuou 400 metros para permitir que o comandante da miss\u00e3o, Jing Haipeng, realizasse a primeira manobra de acoplamento manual da China. Depois de mais quatro dias na Tiangong, a tripula\u00e7\u00e3o voltou para a Terra em um pouso seguro auxiliado por p\u00e1ra-quedas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A segunda equipe da Tiangong chegou em 13 de junho de 2013 a bordo do Shenzhou-10 permanecendo por 12 dias estudando a habita\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o para uma miss\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria e realizar uma s\u00e9rie de experimentos cient\u00edficos. As li\u00e7\u00f5es aprendidas com as duas visitas da tripula\u00e7\u00e3o ao TG-1 forneceram li\u00e7\u00f5es valiosas para o projeto das naves sucessoras, bem como a esta\u00e7\u00e3o espacial modular da China.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 424px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/7830759.jpg?resize=414%2C228\" width=\"414\" height=\"228\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Imagem: China Manned Space Engineering Office<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Tiangong-2 chegou em \u00f3rbita cinco anos ap\u00f3s o primeiro ve\u00edculo e recebeu uma equipe de dois taikonautas para uma estadia de um m\u00eas, estabelecendo um novo recorde para o v\u00f4o tripulado mais longo da China. A espa\u00e7onave tamb\u00e9m serviu como alvo para a primeira miss\u00e3o de carga da espa\u00e7onave Tianzhou-1 da China, um v\u00f4o totalmente automatizado para demonstrar sua capacidade de levar suprimentos e reabastecer de propelente a Esta\u00e7\u00e3o Espacial da China. Era a pe\u00e7a final no quebra-cabe\u00e7a necess\u00e1rio para a opera\u00e7\u00e3o da grande esta\u00e7\u00e3o espacial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tendo cumprido o objetivo principal em 2013, ap\u00f3s tr\u00eas visitas da Shenzhou, a Tiangong-1 foi colocada em modo de espera. No entanto, a China queria manter o m\u00f3dulo em \u00f3rbita o maior tempo poss\u00edvel para estudar a longevidade de seus v\u00e1rios sistemas, um aspecto importante quando se visa a opera\u00e7\u00e3o de uma grande esta\u00e7\u00e3o espacial ao longo de muitos anos, talvez uma d\u00e9cada ou duas. Funcion\u00e1rios chineses sempre foram questionados sobre o fim da miss\u00e3o Tiangong-1, mas a expectativa era que o m\u00f3dulo pudesse descer lentamente para a atmosfera, antes de uma manobra de reentrada controlada.<\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400;\">Falha em \u00d3rbita e Demora da China em Reconhecer a Falha<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo de sua miss\u00e3o principal entre 2011 e 2013, a Tiangong-1 apresentou manobras de manuten\u00e7\u00e3o orbital regulares, para manter sua \u00f3rbita entre 350 e 375 Km de altitude, ficando em uma \u00f3rbita em torno de 330 x 335 km para as tr\u00eas visitas da Shenzhou. Depois de colocada em modo de espera, ap\u00f3s a partida da Shenzhou-10, a Tiangong-1 realizou uma manuten\u00e7\u00e3o orbital aproximadamente a cada dois meses, mantendo seu per\u00edodo orbital em 91,5 minutos e evitando o mergulho abaixo de 350 Km de altitude.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/TG1-Orbit-Ev-512x394.jpg?resize=512%2C394\" width=\"512\" height=\"394\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Evolu\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita da Tiangong-1 mostrando quando ocorreram manobras orbitais<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A freq\u00fc\u00eancia de manobras diminuiu em 2014, mas a dura\u00e7\u00e3o de cada queima de ajuste de \u00f3rbita aumentou. Em abril de 2015, Tiangong-1 fez um par de manobras levando sua \u00f3rbita de 335 x 348 Km para 385 x 400 Km,a \u00f3rbita mais alta do ve\u00edculo at\u00e9 novembro de 2015, quando outra campanha de eleva\u00e7\u00e3o orbital colocou a Tiangong-1 em uma \u00f3rbita de 390 x 408 Km . Isso seria um prov\u00e1vel esfor\u00e7o para economizar propelente colocando a nave em uma \u00f3rbita mais alta, onde o arrasto n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o significativo. No entanto, a manobra de novembro de 2015 seria a \u00faltima da Tiangong-1.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os observadores come\u00e7aram a levantar quest\u00f5es sobre a queda planejada da Tiangong no in\u00edcio de 2016 e a ag\u00eancia estatal chinesa de not\u00edcias Xinhua respondeu dizendo que a Tiangong-1 havia encerrado seus &#8220;servi\u00e7os de dados&#8221; ap\u00f3s uma miss\u00e3o de 1630 dias. &#8220;A \u00f3rbita de v\u00f4o do laborat\u00f3rio espacial, que ir\u00e1 descer gradualmente nos pr\u00f3ximos meses, est\u00e1 sendo continuamente monitorada de perto, de acordo com o Gabinete de Engenharia Espacial Tripulada, que disse que o orbitador eventualmente queimar\u00e1 na atmosfera&#8221;, dizia o relat\u00f3rio de 21 de mar\u00e7o de 2016.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/Wah-20150804tiangong1_1438767506_lg-512x512.gif?resize=512%2C512\" width=\"512\" height=\"512\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Tangong-1 &#8211; A partir de observa\u00e7\u00e3o em solo &#8211; Cr\u00e9ditos: Wah! &#8211; spacewaethergallery.com<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir dessa declara\u00e7\u00e3o um tanto vaga, alguns analistas conclu\u00edram que a Tiangong-1 estava descontrolada, e a imprensa sensacionalista rapidamente noticiou que uma nave espacial descontrolada estava caindo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra. Observadores amadores rastrearam a Tiangong e sua curva de luz apresentava varia\u00e7\u00e3o consistentes com uma nave espacial girando devagar, fortalecendo os rumores de uma falha de energia na Tiangong-1.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em julho de 2016, foi divulgada a informa\u00e7\u00e3o que o supercomputador do projeto Sunway TaihuLight foi usado para simular a desintegra\u00e7\u00e3o do m\u00f3dulo Tiangong durante a reentrada atmosf\u00e9rica, outra indica\u00e7\u00e3o de que a nave se dirigia para uma reentrada n\u00e3o-controlada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Finalmente, em setembro de 2016, autoridades chinesas confirmaram que o Tiangong-1 faria uma reentrada descontrolada depois de sofrer uma falha a bordo em mar\u00e7o. Funcion\u00e1rios disseram que a maior parte do laborat\u00f3rio espacial se queimaria na atmosfera e que o programa espacial da China iria monitorar a \u00f3rbita de Tiangong para avisar outros operadores de poss\u00edveis colis\u00f5es e emitir previs\u00f5es para a reentrada da nave. Naquele momento, o fim da Tiangong foi previsto para o final de 2017.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Deve-se observar que a Tiangong-1 sobreviveu por mais de dois anos e meio ap\u00f3s o fim de sua miss\u00e3o de dois anos. O destino da nave espacial foi selado por uma falha fatal em seu carregador de bateria, impedindo a energia das matrizes solares de recarregar as baterias da nave e levando a uma r\u00e1pida redu\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia dispon\u00edvel.<\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400;\">Previs\u00e3o de Reentrada, Riscos Para a Vida e de Preju\u00edzos Materiais<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Objetos s\u00e3o abandonados em \u00f3rbita e reentram a atmosfera da Terra praticamente todos os dias. No entanto, a reentrada de um objeto grande com uma massa de v\u00e1rias toneladas m\u00e9tricas \u00e9 bastante rara, chegando uma vez a cada ano ou dois. A Tiangong-1 \u00e9 o objeto mais pesado a reentrar na atmosfera desde a sonda PhobosGrunt da R\u00fassia, que mergulhou de volta \u00e0 Terra no in\u00edcio de 2012 com uma massa de 13,5 toneladas.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/1667292_orig-512x405.jpg?resize=512%2C405\" width=\"512\" height=\"405\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Reentrada do sat\u00e9lite ATV-4 visto da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos \u00faltimos anos, acordos internacionais foram feitos para garantir que os objetos pesados \u200b\u200bsejam retirados de \u00f3rbita de forma controlada para evitar riscos para a popula\u00e7\u00e3o. Mas existem muitos sat\u00e9lites velhos e pesados \u200b\u200bainda para reentrar e percal\u00e7os, como falhas de lan\u00e7amento ou problemas que tornam os sat\u00e9lites incontrol\u00e1veis, podem deixar grandes espa\u00e7onaves a deriva, em \u00f3rbitas de curta dura\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos \u00faltimos anos, a China prometeu adotar diretrizes internacionais para a gest\u00e3o de detritos espaciais e pesquisas foram realizadas pelo pa\u00eds em v\u00e1rios projetos. No entanto, as a\u00e7\u00f5es passadas dos chineses, como o Teste Anti-Sat\u00e9lite de 2007, alavancaram a popula\u00e7\u00e3o de detritos orbitais do pa\u00eds para quase o mesmo n\u00edvel da R\u00fassia e dos Estados Unidos, apesar da China ter uma hist\u00f3ria bem mais curta de atividades espaciais.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/tg1-cmsa-512x341.jpg?resize=512%2C341\" width=\"512\" height=\"341\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Imagem: CMSA<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Matematicamente, a reentrada da Tiangong cai na categoria de alto risco com o risco acima de 1 para 5.000 de ferimento ou morte humana. O padr\u00e3o de seguran\u00e7a 1740.14 da NASA especifica que a nave espacial que sofre uma reentrada n\u00e3o controlada n\u00e3o deve exceder o risco de 1 para 10.000, correspondente a uma \u00e1rea de acidentes de detritos de 8 m\u00b2.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 o momento, n\u00e3o houve um acidente relatado associado \u00e0 reentrada de um objeto artificial. Mas h\u00e1 reentradas ocorrendo sobre ou perto de \u00e1reas povoadas e restos de espa\u00e7onaves s\u00e3o conhecidos por sobreviver a reentrada. Tamb\u00e9m houve casos de objetos de uma nave espacial que foram recuperados em terra ou pr\u00f3ximos \u00e0 costa e, nos \u00faltimos anos, houveram eventos de pe\u00e7as espaciais causando preju\u00edzos financeiros em terra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma regra de ouro \u00e9 que entre 20 a 40% da massa seca total da nave espacial pode sobreviver ao reentrada e \u201cchover\u201d na Terra, tanto em grandes partes sobreviventes quanto em pequenos gr\u00e3os que se precipitam lentamente na atmosfera. Para Tiangong-1, isso poderia significar que 1,5 a 3 toneladas poderiam sobreviver \u00e0 reentrada e chegar ao ch\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro fator que deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o ao estudar o risco de reentrada de um objeto \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o de terra e oceano. 75% da Terra \u00e9 coberta por \u00e1gua, ent\u00e3o a probabilidade de 25% de um sat\u00e9lite atingir a terra pode ser encontrada na m\u00eddia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na realidade, a quest\u00e3o torna-se mais complicada quando se olha a inclina\u00e7\u00e3o orbital da nave espacial, que altera a fra\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita realizada de fato sobre a terra, dada a distribui\u00e7\u00e3o desigual de terra na dire\u00e7\u00e3o latitudinal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em um estudo publicado por M. Matney na &#8216;Orbital Debris Quarterly&#8217;, as probabilidades de reentrada do sat\u00e9lite evitando terras foram calculadas para todas as inclina\u00e7\u00f5es orbitais de \u00f3rbitas equatoriais a \u00f3rbitas polares. O estudo avaliou a reentrada de um sat\u00e9lite hipot\u00e9tico com uma trilha de detritos de 800 quil\u00f4metros na dire\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria, mas sem largura ou dispers\u00e3o de trilha cruzada para simplificar o modelo.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/5338516_orig-512x358.jpg?resize=512%2C358\" width=\"512\" height=\"358\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Imagem: Orbital Debris Quarterly<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O finado laborat\u00f3rio espacial Tiangong-1 orbita a Terra com uma inclina\u00e7\u00e3o de 42,8\u00b0, o que significa que os detritos podem cair em qualquer lugar entre as latitudes 42,8\u00b0 sul e 42,8\u00b0 norte, cobrindo uma grande parte das \u00e1reas habitadas do planeta, mas tamb\u00e9m passando pelas vastas \u00e1reas de o oceano. Calculou-se que a probabilidade de que algum detrito acabe em terra para este tipo de \u00f3rbita \u00e9 de aproximadamente 38%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para adicionar outras complica\u00e7\u00f5es, as terras do planeta n\u00e3o s\u00e3o distribu\u00eddas uniformemente em diferentes longitudes e a Tiangong cobre diferentes \u00e1reas de terra a cada passagem ao longo do tempo, j\u00e1 que a Longitude do Nodo Ascendente da sua \u00f3rbita n\u00e3o \u00e9 fixa. Esta varia\u00e7\u00e3o significa que a Tiangong-1 pode gastar apenas 16% ou at\u00e9 42% de sua caminhada orbital sobre terra firme.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/TG1-Population-512x270.jpg?resize=512%2C270\" width=\"512\" height=\"270\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Densidade m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o abaixo da \u00f3rbita de uma nave espacial em fun\u00e7\u00e3o da inclina\u00e7\u00e3o \u00a0(TG-1 marcada em vermelho) &#8211; Imagem: NASA Goddard, 2001 TRMM Workshop (Dados populacionais de 1994)<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A popula\u00e7\u00e3o mundial, em sua maior parte, reside em latitudes m\u00e9dias. Portanto, as \u00f3rbitas inclinadas entre 25 e 65 graus t\u00eam o maior risco de reentrada em rela\u00e7\u00e3o aos centros populacionais em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00f3rbitas equatoriais que gastam muito tempo sobre o oceano e zonas de baixa densidade populacional, e \u00f3rbitas de alta inclina\u00e7\u00e3o que cobrem o planeta inteiro, incluindo poucas popula\u00e7\u00f5es \u00e1reas como a Ant\u00e1rtica.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2018\/03\/esa_esoc_tiangong1_risk_map_jan2018-1024x375.png?resize=854%2C313\" width=\"854\" height=\"313\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">\u00c1rea de potencial reentrada da Tiangong-1 &#8211; Cr\u00e9ditos: ESA<\/p><\/div>\n<h1><span style=\"font-weight: 400;\">Previs\u00e3o da Reentrada da Tiangong<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atrav\u00e9s do rastreamento da espa\u00e7onave e da propaga\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita, \u00e9 poss\u00edvel estimar a hora e a poss\u00edvel localiza\u00e7\u00e3o da reentrada com anteced\u00eancia, mas este c\u00e1lculo depende fortemente de uma s\u00e9rie de fatores que n\u00e3o podem ser determinados com precis\u00e3o. Esses fatores incluem as condi\u00e7\u00f5es da atmosfera que impulsionam a velocidade da deteriora\u00e7\u00e3o orbital e s\u00e3o influenciadas pela atividade solar que n\u00e3o pode ser prevista em longos per\u00edodos de tempo.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/1316733189_19671-512x344.jpg?resize=512%2C344\" width=\"512\" height=\"344\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Foto: China Mail<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro fator que impulsiona a velocidade de deteriora\u00e7\u00e3o orbital \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o da nave espacial, que determina a desacelera\u00e7\u00e3o causada pelo arrasto. A Tiangong-1 pode voar com o bico ou a cauda pra frente, o que criaria a menor quantidade de arrasto. Poderia virar de lado ou tamb\u00e9m poderia estar com os pain\u00e9is solares voltados na dire\u00e7\u00e3o do deslocamento, o que causaria o maior arrasto poss\u00edvel. Na realidade, provavelmente a nave espacial deve cair girando, tornando a modelagem do arrasto muito mais complicada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma boa ilustra\u00e7\u00e3o da dificuldade da modelagem exata da deteriora\u00e7\u00e3o \u00e9 a previs\u00e3o inicial da reentrada da Tiangong em meados de 2017, que acabar\u00e1 por ser mais de meio ano depois.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Qualquer previs\u00e3o de reentrada \u00e9 <\/span><b>sempre<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> associada a uma janela de incerteza dada as inc\u00f3gnitas descritas acima. Muitas fontes distintas dar\u00e3o o hor\u00e1rio de reentrada e mesmo as posi\u00e7\u00f5es como valores absolutos, mas a verdade \u00e9 que, enquanto a reentrada ainda for ocorrer depois de v\u00e1rios dias, a margem de erro em qualquer previs\u00e3o pode ser de 24 horas ou mais. Mesmo no dia da reentrada, os c\u00e1lculos s\u00f3 podem reduzir o hor\u00e1rio e a localiza\u00e7\u00e3o aproximada em cerca de uma \u00f3rbita da Terra, de modo que \u00e1reas de risco possam ser identificadas e outras \u00e1reas podem ser exclu\u00eddas.<\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400;\">O Processo de Reentrada e os Componentes que Resistir\u00e3o<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Tiangong-1 iniciou sua lenta descida em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 atmosfera terrestre em dezembro de 2015, a partir de uma altitude de 390 Km, apenas dez quil\u00f4metros abaixo da \u00f3rbita da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional, que regularmente tem que gastar combust\u00edvel para compensar o arrasto na atmosfera superior que traria ISS para baixo em um per\u00edodo de anos, se nada fosse feito.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/tgentry-512x383.png?resize=512%2C383\" width=\"512\" height=\"383\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Reentrada da TG-1 &#8211; Imagem: CMSE<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inicialmente, Tiangong-1 s\u00f3 perdeu algumas d\u00fazias de metros de altitude por dia, dado o arraso quase insignificante experimentado na atmosfera superior sob a forma de colis\u00f5es da nave espacial com \u00edons, mol\u00e9culas e \u00e1tomos que, ao longo do tempo, a retardaram. Em setembro de 2016, quando a Tiangong-1 foi oficialmente declarada incontrol\u00e1vel, a nave estava perdendo aproximadamente 110 metros de altitude m\u00e9dia por dia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 medida que a nave espacial entra em \u00f3rbita cada vez mais baixa, o arrasto aumenta e a velocidade de decl\u00ednio orbital aumenta visivelmente. Em alguns casos, a nave espacial pode come\u00e7ar a \u201ccapotar\u201d nos dias que antecedem a reentrada, quando atinge as camadas mais densas da atmosfera, mas em outros casos, a ela pode entrar em uma orienta\u00e7\u00e3o aerodinamicamente est\u00e1vel nas camadas mais t\u00eanues da atmosfera ou pode at\u00e9 ser desacelerada a partir de um \u201ccapotamento\u201d inicial.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/TG1-Orbit-Ev1-512x394.jpg?resize=512%2C394\" width=\"512\" height=\"394\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Decaimento Orbital da Tiangong<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A deteriora\u00e7\u00e3o da velocidade orbital depender\u00e1 de uma s\u00e9rie de fatores, que n\u00e3o podem ser conhecidos precisamente, como o estado da atmosfera da Terra, que s\u00f3 pode ser estimado com base no clima solar atual usando o fluxo de r\u00e1dio de 10,7 cm, o \u00edndice Kp e os modelos de previs\u00e3o espacial do tempo para alimentar simula\u00e7\u00f5es de decaimento. Al\u00e9m disso, a orienta\u00e7\u00e3o da nave espacial desempenha um papel no n\u00edvel de arrasto experimentado pelo ve\u00edculo. Portanto, as previs\u00f5es de reentrada s\u00e3o sempre associadas a uma barra de erro correspondente a cerca de 20% do tempo entre a predi\u00e7\u00e3o at\u00e9 o momento da reentrada prevista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como um objeto de alto risco, a Tiangong ser\u00e1 rastreada intensamente nos seus \u00faltimos dias em \u00f3rbita. Os Estados Unidos operam o maior sistema de vigil\u00e2ncia espacial do mundo que usa sensores terrestres e espaciais; \u00c9 tamb\u00e9m o \u00fanico sistema de rastreamento que fornece dados ao p\u00fablico para permitir uma estimativa independente do tempo de entrada. R\u00fassia e China tamb\u00e9m executam grandes sistemas de rastreamento de radar e \u00f3ptica e v\u00e1rias outras na\u00e7\u00f5es, como a Austr\u00e1lia,tamb\u00e9m tem capacidade de rastreamento \u00f3ptico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando a reentrada ocorre, sua posi\u00e7\u00e3o pode ser calculada a partir de dados orbitais reunidos nas \u00faltimas \u00f3rbitas antes do evento, mas os dados mais precisos ser\u00e3o fornecidos atrav\u00e9s de recursos espaciais ex\u00e9rcito americano, que pode rastrear a assinatura t\u00e9rmica da reentrada da nave espacial e, portanto, apontar a hora e o local com alta precis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo dos \u00faltimos dias de sua descida, a Tiangong-1 perder\u00e1 altitude a uma taxa not\u00e1vel de v\u00e1rios quil\u00f4metros por dia, aproximando-se das camadas densas da atmosfera para um mergulho \u00edngreme e ardente. Uma vez que atingir a atmosfera, a Tiangong come\u00e7ar\u00e1 um processo r\u00e1pido, come\u00e7ando pela forma\u00e7\u00e3o de plasma em torno da nave espacial. O calor intenso e a desacelera\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica far\u00e1 com que a nave espacial se despedace e queime por algum tempo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O in\u00edcio da reentrada ocorre a uma altitude de 120 a 100 Km, dependendo das condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas. A nave normalmente se torna luminosa a uma altitude de 105 Km, \u00e0 medida que o plasma se forma em torno da estrutura, embora o ar ainda n\u00e3o seja suficientemente denso para reduzir a velocidade da nave rapidamente. Devido a alta velocidade do objeto, cerca de 7,7 km\/s, o ar a sua frente \u00e9 comprimido em uma camada de onda de choque onde algumas das mol\u00e9culas s\u00e3o separadas em \u00edons, criando a t\u00edpica camada vis\u00edvel de plasma, que pode estar presente mesmo minutos antes da desintegra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/20160615062244_55236.png?resize=600%2C767\" width=\"600\" height=\"767\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Modelos Din\u00e2micos de Reentrada da TG-1 &#8211; 62 \/ 65 Km de altitude, em diferentes \u00e2ngulos de ataque &#8211; Imagem: Sunway TaihuLight<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Ponto de Entrada, conforme definido pelo Comando Estrat\u00e9gico dos Estados Unidos representado em todos os seus dados, refere-se ao ponto em que espa\u00e7onave atinge 80 Km de altitude, onde o arrasto acumulado gera uma for\u00e7a destrutiva, desencadeando o in\u00edcio da desintegra\u00e7\u00e3o da estrutura da nave espacial. A camada da onda de choque se forma exatamente em frente \u00e0 nave espacial e quaisquer componentes s\u00e3o submetidos a um aquecimento consider\u00e1vel que causa a incinera\u00e7\u00e3o da maior parte da estrutura da nave espacial; A desacelera\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica sofrida durante a reentrada pode chegar a at\u00e9 20 G e destruir ainda mais os componentes estruturais e causar a desintegra\u00e7\u00e3o da nave espacial.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/20160414091529_53827.jpg?resize=337%2C208\" width=\"337\" height=\"208\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Modelagem da desintegra\u00e7\u00e3o &#8211; Imagem: Sunway TaihuLight<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A energia cin\u00e9tica de Tiangong-1 no ponto de reentrada dever\u00e1 ser na ordem de 0.22 Terajoule, o equivalente a 52 toneladas de TNT. Esta energia seria suficiente para vaporizar facilmente todo a espa\u00e7onave, se toda essa energia fosse convertida em calor e inteiramente absorvido pela estrutura. No entanto, apenas uma fra\u00e7\u00e3o da energia total de um sat\u00e9lite \u00e9 convertida em calor absorvido pelo seu corpo e depende de uma s\u00e9rie de fatores, como \u00e2ngulo e velocidade de voo, bem como as propriedades do objeto (forma, \u00e1rea e massa).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Geralmente, os componentes soltos com uma rela\u00e7\u00e3o de \u00e1rea a massa elevada, tais como os pain\u00e9is solares e antenas refletoras, s\u00e3o perdidos primeiro, se destacando de um sat\u00e9lite a uma altitude de cerca de 90 Km. O corpo principal da nave espacial geralmente sofre desintegra\u00e7\u00e3o a uma altitude de 60 a 88 km devido ao calor e \u00e0s cargas din\u00e2micas sofridas durante a entrada. A modelagem para Tiangong-1 prev\u00ea uma falha cr\u00edtica do compartimento pressurizado em torno de 65 Km de altitude.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A capacidade de sobreviv\u00eancia de componentes espec\u00edficos depende de uma s\u00e9rie de fatores, incluindo o material que o comp\u00f5e, a forma, a rela\u00e7\u00e3o \u00e1rea \/ massa e a prote\u00e7\u00e3o fornecida por outras pe\u00e7as da nave espacial. De maneira geral, os componentes de alum\u00ednio devem queima completamente, a menos que tenham uma pequena \u00e1rea baixa em rela\u00e7\u00e3o a massa, sejam protegidos por outras partes de sat\u00e9lite ou sejam lan\u00e7ados no final do processo de entrada. Tit\u00e2nio, esferas de a\u00e7o inoxid\u00e1vel (tanques) ou carca\u00e7as s\u00f3lidas de motor do foguete, tem uma boa probabilidade de sobreviver e chegar \u00e0 superf\u00edcie da Terra.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/8278746_orig-512x347.jpg?resize=512%2C347\" width=\"512\" height=\"347\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Tanque de pressuriza\u00e7\u00e3o do segundo est\u00e1gio do Delta II ap\u00f3s a reentrada &#8211; Imagem: NASA Orbital Debris Program Office<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma s\u00e9rie de modelos foram desenvolvidos ao longo dos anos para avaliar a capacidade de sobreviv\u00eancia dos componentes de um sat\u00e9lite, e a NASA estabeleceu regras espec\u00edficas para avalia\u00e7\u00f5es de risco para determinar se a reentrada n\u00e3o-controlada pode ser aceita como disposi\u00e7\u00e3o de um sat\u00e9lite no final de sua vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 medida que a Tiangong for se quebrando em peda\u00e7os, componentes individuais ir\u00e3o desaparecer entre 45 e 78 Km de altitude, enquanto alguns componentes conseguir\u00e3o sobreviver \u00e0 reentrada e chegar ao ch\u00e3o.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/5249089_orig-512x236.jpg?resize=512%2C236\" width=\"512\" height=\"236\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Imagem: NASA Goddard<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os componentes da\u00a0nave espacial Tiangong-1 que s\u00e3o principais candidatos a sobreviver a reentrada incluem os dois mecanismos de comando dos pain\u00e9is solares, os tanques esf\u00e9ricos de pressuriza\u00e7\u00e3o e de gases atmosf\u00e9ricos, componentes dos dois motores principais, janelas e o pesado sistema de ancoragem, que \u00e9 de constru\u00e7\u00e3o particularmente robusta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma informa\u00e7\u00e3o desconhecida \u00e9 a quantidade de propelente n\u00e3o utilizado ainda a bordo da nave espacial. Se ainda houver propelente na Tiangong-1, pode estar em um estado congelado e agir como dissipador de calor durante a entrada, permitindo que partes dos tanques e seus suportes estruturais sobrevivessem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os componentes que sobrevivem \u00e0 reentrada atingem o solo em qualquer lugar entre 500 e 1.200 Km do ponto de reentrada. As pe\u00e7as com um coeficiente de baixa bal\u00edstica (baixa densidade \/ \u00e1rea alta, por exemplo, tanques) ter\u00e3o a dist\u00e2ncia de viagem de mais curta, enquanto os componentes densos com alto coeficiente bal\u00edstico, como o mecanismo de comando dos pain\u00e9is, podem viajar 850 km ou mais. A viagem at\u00e9 o solo \u00e9 influenciada pelas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas locais, como os ventos.<\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400;\">Observando a Reentrada<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme descrito acima, a previs\u00e3o do hor\u00e1rio exato de reentrada \u00e9 quase imposs\u00edvel, mas \u00e0 medida que o evento se aproxima, ser\u00e1 poss\u00edvel reduzir o evento para uma janela de poucas horas que ajudar\u00e1 a orientar as tentativas de observa\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Tiangong-1 \u00e9 um excelente objeto para observa\u00e7\u00e3o a olho nu em um c\u00e9u suficientemente escuro. Dada a sua baixa inclina\u00e7\u00e3o, nem todas as regi\u00f5es podem ver a nave espacial &#8211; observadores at\u00e9 50\u00b0 de latitude podem ter passagens baixas, mas a zona de observa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel se estende de 43\u00b0 Norte a 43\u00b0 Sul.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/6946076_orig-512x384.jpg?resize=512%2C384\" width=\"512\" height=\"384\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Foto: John Arnold \/ spaceweathergallery.com<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos dias que antecederam a reentrada, a Tiangong-1 poder\u00e1 ser vista como um pequeno ponto cruzando o c\u00e9u. Uma poss\u00edvel varia\u00e7\u00e3o no brilho pode indicar a rota\u00e7\u00e3o da nave espacial. Ao reentrar, ela ir\u00e1 atravessar o c\u00e9u se desintegrando, com uma cauda de plasma vis\u00edvel e restos brilhantes caindo de volta \u00e0 Terra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se houverem passagens da TG-1 pr\u00f3ximas a voc\u00ea, em torno do hor\u00e1rio previsto para reentrada, voc\u00ea certamente deve sair e procurar a nave espacial. Sites como <a href=\"http:\/\/heavens-above.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Heavens-Above.com<\/a> fornecem uma lista de passagens para qualquer local da Terra. Mas aten\u00e7\u00e3o: previs\u00f5es de passagem desses sites baseiam-se em informa\u00e7\u00f5es orbitais que s\u00e3o atualizadas v\u00e1rias vezes por dia. No dia da reentrada, a \u00f3rbita da nave espacial decai rapidamente, de forma que essas previs\u00f5es tornam-se imprecisas muito rapidamente e o tempo do in\u00edcio da passagem pode variar alguns minutos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se voc\u00ea observar a nave espacial nos dias que antecedem a reentrada ou vislumbrar a reentrada, nos <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/bramonbr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mande uma mensagem<\/a> ou <a href=\"mailto:bramon@bramonmeteor.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">envie um e-mail<\/a>.\u00a0Estamos muito interessados \u200b\u200bem seus relat\u00f3rios de observa\u00e7\u00e3o e fotos! (forne\u00e7a um local de observa\u00e7\u00e3o aproximado para tornar poss\u00edvel a an\u00e1lise dos dados)<\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400;\">Como os Rastreadores de Sat\u00e9lite Funcionam<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muitos se equivocam sobre como funcionam os sites de rastreamento de sat\u00e9lites, como o <a href=\"http:\/\/n2yo.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">n2yo.com<\/a>. Uma cren\u00e7a comum \u00e9 que esses &#8220;sites de rastreamento em tempo real&#8221;, de fato, mostram a posi\u00e7\u00e3o do sat\u00e9lite com base em informa\u00e7\u00f5es de rastreamento coletadas em tempo real. Mas n\u00e3o \u00e9 este o caso.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/spaceflight101.com\/re-entry\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/05\/tg1-tracker-512x377.jpg?resize=512%2C377\" width=\"512\" height=\"377\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Imagem: n2yo.com<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os rastreadores recebem um conjunto de elementos orbitais &#8211; tipicamente uma ou duas vezes por dia &#8211; a partir do qual \u00e9 calculada a posi\u00e7\u00e3o do sat\u00e9lite a qualquer momento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, quando uma espa\u00e7onave se aproxima da reentrada, a redu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do per\u00edodo orbital resultar\u00e1 numa falta de sincronia entre o rastreador e a posi\u00e7\u00e3o real do sat\u00e9lite. Portanto, \u00e9 comum que o sat\u00e9lite apare\u00e7a at\u00e9 alguns minutos antes dos tempos previstos pelos rastreadores on-line. Al\u00e9m disso, quando a reentrada ocorre, os rastreadores on-line continuar\u00e3o a mostrar a posi\u00e7\u00e3o calculada do sat\u00e9lite por v\u00e1rias horas ou mesmo dias, embora o sat\u00e9lite j\u00e1 tenha deixado de existir.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto original:<br \/>\n<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"mailto:info@spaceflight101.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Patrick Blau<\/a>, dispon\u00edvel no <a href=\"http:\/\/spaceflight101.com\/re-entry\/tiangong-1-re-entry\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Spaceflight101<\/a><\/span><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o\/adapta\u00e7\u00e3o: <\/strong><br \/>\nMarcelo Zurita, Alexsandro Mota, Andrei Roger Lima e Claudio Max<br \/>\nBRAMON<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"wpm_excerpt clearfix\"><p>A Tiangong-1,\u00a0um m\u00f3dulo pressurizado de 10 metros da esta\u00e7\u00e3o espacial chinesa, \u00a0est\u00e1&hellip;<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":72,"featured_media":1661,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":""},"categories":[232,9,5],"tags":[71,67,68,72],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i2.wp.com\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tgentry-512x383.png?fit=512%2C383","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1651"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/72"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1651"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1651\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3559,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1651\/revisions\/3559"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1661"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.bramonmeteor.org\/bramon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}