Operadores
Login

Esqueceu a senha?

BRAMON | Observação visual – O começo de tudo.
899
post-template-default,single,single-post,postid-899,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,smooth_scroll,
title

Novidades

Observação visual – O começo de tudo.

A Astronomia é uma maravilhosa Ciência. E um de seus dos seus principais atrativos é o fato de que existe muito espaço para contribuições de amadores. Diversos importantes registros como de: ocultações, eclipses, cometas, novas e meteoros, dentre outros, podem acontecer vindo de observadores ditos “comuns”. Mesmo com grandes avanços das técnicas observacionais, muitos equipamentos atuam em regiões estreitas do céu e captam dados em faixas muito específicas do espectro eletromagnético. Tais sistemas refinados, deixam muito céu a descoberto, seja espacialmente falando ou mesmo temporalmente.

Com o aumento de nebulosidade em certas épocas do ano e a poluição luminosa dos grandes centros urbanos é cada vez mais difícil observar fenômenos tênues e de curta duração, como é o caso dos meteoros. Assim, a partir do momento em que mais pessoas estão observando os céus, ampliando o nível de vigilância, mais dados serão coletados, contribuindo para uma eventual expansão do entendimento sobre certos fenômenos.

A BRAMON utiliza três sistemas de observação e monitoramento de meteoros: o sistema em vídeo, o sistema em rádio e o sistema visual. Rádio e Vídeo podem ser operador remotamente ou mesmo, após o registro, ter os dados analisados por outrem. Isso traz facilidades, uma vez que os operadores poderão mesmo dormir, enquanto a vigilância permanece. mas, para o caso de observação visual direta, quanto mais informações pudermos passar a respeito do fenômeno observado mas precisa será sua classificação e sua utilidade científica.

Mesmo com a automação dos processos de registro de meteoros, não desapegamos da ideia de saber conduzir a observação em modo “manual”. Eu mesmo, já avistei vários meteoros que, por vezes, estavam fora do campo de visão da câmera, mas que pude computar como sendo membro desta ou daquela chuva em particular, por poder referenciar-me junto às constelações.

Tais conhecimentos são simples, mas não simplórios. Sendo utilíssimos quando, em campo, encontramos pessoas relatando avistamentos de bólidos. Para extrair informações úteis destas testemunhas é preciso ter noções básicas para a formulação de perguntas realmente relevantes na investigação.

Uma das informações que mais interessam ao público geral, quando falamos de observações de meteoro é: quantos meteoros serão visto por hora. Esta taxa de ocorrência recebe o nome de Taxa Zenital Horária ou ZHR (Zenithal Hourly Rate em inglês).

Então, a TZH é a medida da quantidade de meteoros vistas por hora, em condições ótimas de observação. Isto é, com radiante no topo do céu, céu absolutamente livre de poluição luminosa, sem nuvens, sem obstruções de construções, relevo ou árvores e com observador com máxima acuidade visual. Obviamente nem sempre é possível reunir todos os fatores ótimos. Acabamos então vendo somente uma fração dos meteoros previsto para uma chuva. Mas mesmo sem as condições ideias, é possível empreender uma observação, anotar as ocorrências de depois calcular a TZH ou ZHR para aquele evento. Vamos lá!

Onde,

TH é a taxa horária efetiva dos meteoros. Onde N é o número de Meteoros e Tef é o tempo de observação, dado em horas.

Vamos a um exemplo:  num período de 15 minutos foram observados 2 meteoros da chuva Lírideos. Sua TH  = 2/0,25 ou seja, 8 meteoros seriam vistos em uma hora.

Já o termo F é o fator que encerra em si, as condições de visibilidade do céu. F é obtido pela seguinte expressão:

Aqui, k corresponde a porcentagem de obstrução do céu. Seja por nuvens, construções ou relevo. Como exemplo, teríamos: durante a observação feita, 20% do céu ficou obstruído por nuvens. F = 1/0,8 ou o mesmo que 1,25.

O termo r, já é a correção em termos de limitação de visualização de magnitudes mais tênues.

O “r” assume, tipicamente, o valor igual a 2. O expoente (6.5-lm) é justamente a magnitude visual limite menos a magnitude visual observável para as estrelas do zênite.

Também a título de exemplo:

Caso o limite visual, durante uma observação de meteoros, fosse de 4.5… Teríamos que o termo de “r” corresponderia a 4, pois teríamos r =2, elevado a (6.5 – 4.5).

O termo Sen (hR) faz alusão a elevação do radiante da chuva observada em relação ao local  em que está o observador.

Ficaria assim: se o radiante que observo está com 30º de elevação do horizonte, terei que usar como denominador do cálculo de TZH o Sen(30º) ou seja, 0,5.

Então, para um exemplo geral:

Durante 30 minutos de observação pude notar a ocorrência de 2 meteoros. Eu somente possuía 50% de céu visível. A magnitude limite observável durante o período de observação era de 3.5. E o radiante estava elevado 30º em relação ao horizonte.

Vamos aos cálculos:

TZH = (4x 2 x 8)/0,5; TZH = 128

Isto nos mostra como os fatores contidos tanto no cenário do observador, influenciam na percepção do fenômeno em si.

A estimativa da TZH é muito importante pois ajuda a classificar as chuvas como sendo “maiores” ou “menores”, além de ajudar no entendimento de outros fatores, como a influência da latitude e longitude na intensidade dos chuveiros de meteoros.

A BRAMON acredita que é sempre muito importante entender o princípio, os fundamentos de suas áreas de estudo e pesquisa. para tanto, precisamos incentivar também as releituras e redescobertas. Fazer certos cálculos manualmente, estimar distâncias com gabaritos de papel, desenhar a mão livre não são nossa rotina. Mas também, nunca serão nossa ruína.

A BRAMON é a maior rede de monitoramento de meteoros do Brasil. Uma das maiores do Mundo. Junte-se a nós.

Compilação e edição: Lauriston Trindade

Nenhum Comentário

Desculpe, os comentários estão fechados agora.