A Brazilian Meteor Observation Network iniciou o mês de Janeiro de 2015 com alguns registros de belíssimos fireballs; (veja publicação aqui) e agora faz o primeiro registro de um Earthgrazer de 2015; (outro já havia sido registrado em Outubro de 2014).
Este não é só o primeiro registro da rede Brasileira, mas do hemisfério sul terrestre também já que a Bramon é a única rede em operação com este molde de registros de vídeo meteoros e os estudos de sua natureza e características.
O meteoro Earthgrazer tem como característica o fato de não penetrar totalmente a atmosfera terrestre; passando apenas nas camadas superiores da atmosfera (ionosfera e mesosfera) e voltar ao espaço. Isso ocorre quando há uma conjunção favorável de fatores tais como velocidade suficientemente alta e ângulo de entrada na atmosfera quase tangencial. Nesses casos, o meteoro é rápido o suficiente para manter-se acima da velocidade de escape de nosso planeta e devido ao baixo ângulo de entrada atravessa apenas uma pequena fração da atmosfera antes de retornar ao espaço, o que evita que a resistência aerodinâmica ocasione sua desaceleração, o que o levaria a se precipitar em direção ao solo como um meteoro “comum”. Em outras palavras este tipo de meteoro “ricocheteia” em nossa atmosfera como pedras sendo lançadas rasantes sobre a superfície de um lago.
Meteoros Earthgrazers assumem novas órbitas após o encontro próximo com nosso planeta em relação as que tinham antes do encontro. A determinação de sua nova órbita é um procedimento difícil porém possível, o que nos permite averiguar se no futuro esse corpo terá uma nova chance de encontro com nosso planeta, ou não.
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Meteoro Earthgrazer atravessando atmosfera terrestre rumo ao espaço novamente
As estações de monitoramento de meteoros da Bramon que registraram o evento estão localizadas no interior de São Paulo nas cidades de Nhandeara e Batatais e operadas por Renato C. Poltronieri e Ricardo Cavallini.
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Meteoro Earthgrazer registrado no dia 14/01/2015 as 22:46 (Horário Local) em Nhandeara interior de São Paulo.
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Meteoro Earthgrazer registrado no dia 14/01/2015 as 22:46 (Horário Local) em Batatais interior de São Paulo.
Com a triangulação realizada entre as duas estações foi possível se obter alguns dados relativos a este evento em questão.
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Plotagem da triangulação realizada pelas duas estações de observação de meteoros
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Os cálculos geram uma órbita mediana conforme ilustra imagem acima
A Bramon obteve sua órbita mediana e constatou que se trata de um meteoro Alfa Crucídea (J8_ACR Alpha Crucids) que penetrou na atmosfera da terra na altitude máxima de 119km e mínima de 83km e com magnitude estimada de -5.4 com duração aproximada de 3,2 segundos. Sua velocidade aproximada foi de 50,9 km/s ou 183.240 quilômetros por hora.
O fator que torna este evento crucial para a Bramon é que as chuvas de meteoros de Alfa Crucídeas são muito pouco conhecidas e estudadas até então.
Até o momento toda a informação que se possui sobre esse radiante provém de 2 observações visuais e 3 observações por câmeras. Os dados obtidos pela Bramon neste único evento mostram que o meteoro Earthgrazer possui Semieixo Maior do que os registrados a partir das observações anteriores. Os estudos anteriores indicam um Semieixo Maior médio de 2,4 UA, enquanto o bólido registrado pela Bramon possui um Semieixo Maior médio de 12,9 UA, atingindo distâncias superiores a órbita de Saturno. O corpo parental que produz tal chuva não foi identificado, podendo ser um cometa.
Isso torna a Bramon a única rede em operação atualmente no mundo com capacidade técnica e instrumental para obter maiores detalhes com o passar dos anos deste radiante, incluindo o diferencial do Semieixo Maior e a determinação de seu corpo parental. Consultas aos catálogos e artigos da IMO estão sendo conduzidos neste estudo.
Algo curioso nesta captura é que a mesma provém de uma área celeste que é visível apenas no hemisfério sul da Terra, por isso a falta de informação a respeito desta chuva de meteoros devido as redes de monitoramentos em operação no hemisfério norte não poderem registrar este radiante.
A BRAMON atuando no hemisfério sul terrestre escolheu como logomarca para representar o seu pioneirismo neste “novo céu” justamente a constelação de Cruzeiro do Sul, para representar a exclusividade em que esse novo e fértil céu tem a nos oferecer.
O papel desempenhado pela Bramon hoje, após seu primeiro ano de existência, é de extrema importância pois com o passar dos anos, e com o aumento na densidade de câmeras geridas pela rede, fornecerá uma base de dados única a ser estudada em todo o mundo, servindo de referência a todas as pesquisas e publicações futuras a respeito da natureza e características dos meteoros do hemisfério sul celeste.